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Aumento de casos de contaminação de IST durante verão é um alerta, mesmo durante pandemia

Por Lucas Batista

Foto: Divulgação

Durante o verão, os casos de infecções sexualmente transmissíveis (IST) tendem a aumentar. Embora a pandemia tenha reduzido as grandes aglomerações públicas, realização de shows e festas como o Carnaval, os riscos de contaminação ainda são um alerta neste período do ano.  

 

O relaxamento do isolamento social e a volta do funcionamento de diversos estabelecimentos comerciais têm feito as pessoas se adaptarem ao novo normal e a retomarem o contato social, sobretudo o público mais jovem. E é justamente nos meses mais quentes do ano que as pessoas estão mais expostas à prática do sexo não seguro, sem uso de preservativos e/ou com vários parceiros, e, por isso, suscetíveis à contaminação de IST.  

 

As IST estão entre as patologias mais comuns e são consideradas um problema de saúde pública em todo mundo. Elas são causadas por agentes etiológicos como vírus, bactérias, fungos e protozoários, sendo transmitidos principalmente com contato sexual. Quando não tratadas podem ocasionar diversos impactos à saúde e, em alguns casos, até a morte. 

 

Nos últimos anos, a sífilis vem se mostrando uma epidemia silenciosa no país, com registros significativos do número de casos. Assim como o HIV/Aids, a doença possui notificação compulsória aos órgãos oficiais de saúde pública. Segundo dados do Boletim Epidemiológico de Sífilis, em 2019 foram notificados 152.915 casos de sífilis adquirida em todo o país. Estima-se que 18 casos da doença são registrados por hora no país.  

 

A sífilis é caracterizada por feridas nos órgãos genitais, mas também pode ser assintomática. Se não tratada, pode ocasionar lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, podendo levar à morte. Em mulheres grávidas, a sífilis pode causar o parto prematuro, aborto espontâneo e sequelas no feto como cegueira, surdez, má formação ou até a morte.  

 

Outras IST sem notificação compulsória e, portanto, sem estatísticas também merecem atenção. Entre elas está a gonorreia, doença transmitida por bactérias que tem como principais sintomas a dor ao urinar e secreções pelo canal uretral no homem e corrimento vaginal na mulher.  Quando não tratada rapidamente com antibióticos, há risco de complicações como a infertilidade e a doença inflamatória pélvica. 

 

A uretrite é uma IST causada pela infecção da uretra, canal condutor da urina que liga a bexiga a parte exterior do corpo. Os tipos mais comuns são as uretrites sexualmente transmitidas que podem ser classificadas em gonocócicas, causadas pela bactéria Nesseria gonorrheae, que pode afetar também a faringe e o ânus, e as não gonocócicas, causadas por outros tipos de germes, como a Chlamydia trachomatis, que se desenvolve no interior das células. 

 

Entre os homens, a uretrite pode causar infecção a outros órgãos do aparelho genital e urinário como bexiga (cistite), testículos (orquite), epidídimos (epididimite), próstata (prostatite). Em casos mais graves, a uretra pode sofrer estreitamento e trazer outros problemas como a infertilidade.  

 

Em muitos casos, pessoas acometidas por IST não buscam tratamento, porque são assintomáticas ou apresentam sintomas leves, que podem ser variados, a depender do tipo de infecção contraída. Entretanto, algumas manifestações clínicas devem acender o sinal de alerta para que o indivíduo procure um médico. Entre as mais comuns estão corrimento, feridas, dor ao urinar e coceira genital. O urologista poderá acompanhar e tratar qualquer IST com acometimento do sistema urinário e dos órgãos genitais.  

 

O tratamento das IST é essencial para interromper a cadeia de transmissão da doença. Ao receber o diagnóstico de uma IST é importante também que o parceiro sexual seja informado para que ele também busque um tratamento especializado. O uso de preservativos é essencial na prevenção às IST, e a informação é outro importante aliado.  O conhecimento acerca dessas infecções ajuda as pessoas a se manterem mais protegidas. 

 

*Lucas Batista é presidente da Sociedade Brasileira de Urologia - seccional Bahia e chefe do Serviço de Urologia da Universidade Federal da Bahia, do Hospital Cárdio-Pulmonar e coordenador do Serviço de Urologia do Hospital Aeroporto.

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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