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Dietas restritivas não vão te ajudar a manter a saúde

Por João Pedro Gantois

Foto: Divulgação

Vivemos em uma época em que o corpo físico é bastante exaltado. As redes sociais facilitam trocas e disseminação de conteúdo, mas também informações sobre estratégias mirabolantes – e perigosas – e apologia ao terrorismo nutricional. Quando juntamos esses ingredientes: pessoas insatisfeitas com seus físicos e querendo resultados imediatos, redes sociais, estratégias restritivas, suplementos e cápsulas que prometem soluções incríveis em pouco tempo, o desfecho tende a não ser bom.


O terrorismo alimentar começa quando se colocam alimentos em lados opostos. Enquanto um lado é povoado pelos tidos “super alimentos”, o outro lado fica com os alimentos “do mal”. Os macronutrientes também não escapam dessa rivalidade. Antes, o grande vilão eram os lipídios – ou gorduras -, papel que atualmente é dos carboidratos. Será mesmo que existe um nutriente vilão que é responsável pelo crescente número de obesos no mundo? Pode apostar que não.


Infelizmente uma série de pessoas, com bom alcance público, boa oratória e potencial formação de opinião, mas sem qualquer embasamento, decide por contribuir para o medo das pessoas se alimentarem.


De causas multifatoriais, os transtornos alimentares são condições mais complexas e profundas do que simples episódios de hiperalimentação ou dias em que não tem vontade de comer. Esses exemplos não são bons comportamentos, mas não se tratam, obrigatoriamente, de um quadro de transtorno alimentar. 


Anorexia nervosa e compulsão alimentar são algumas das condições mais conhecidas da maior parte do público, e se trata de uma série de comportamentos relacionados à alimentação e perturbações relativas à imagem corporal. Isso quer dizer que, para serem classificadas como um transtorno alimentar, é necessário que se cumpram requisitos, como em qualquer diagnóstico. 


Os aspectos psicossomáticos dos transtornos alimentares precisam ser observados e respeitados, e o tratamento deve ser feito de por uma equipe interdisciplinar, contemplando a recuperação das condições psicológicas, comportamentais e nutricionais.


O terrorismo nutricional pode ser um gatilho ou um agente intensificador de quadros relacionados aos transtornos alimentares, mas dificilmente serão os causadores. Restrições em excesso tendem a gerar compensação!


Em tempos “não pode”, “pare de comer isso”, “exclua aquilo”, “tal alimento é veneno” e “para emagrecer você precisa cortar tal coisa”, fuja dos radicalismos e comece o seu processo adicionando, ao invés de retirar. Coma uma porção de fruta a mais durante o dia, adicione vegetais à sua rotina, beba um pouco mais de água, faça atividade física e melhore a qualidade do seu sono. 


Estratégias insustentáveis geram resultados insustentáveis.

 

*João Pedro Gantois é nutricionista

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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