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O papel do investimento social privado no avanço da ciência e da educação na Bahia

Por Thamile Accioly

A Bahia reúne universidades, centros de pesquisa e profissionais capazes de produzir conhecimento e desenvolver soluções para alguns dos principais desafios sociais do Brasil. Entretanto, entre uma boa ideia e sua aplicação prática existe um caminho que depende de financiamento, estrutura e continuidade. É justamente nesse percurso que muitas iniciativas encontram dificuldades para avançar.


O investimento em ciência, saúde e educação não pode ser compreendido apenas como uma despesa necessária. Trata-se de uma escolha estratégica para o desenvolvimento social e econômico. Pesquisas científicas contribuem para melhorar diagnósticos e tratamentos, orientar políticas públicas e ampliar o acesso a serviços essenciais. Na educação, projetos bem estruturados podem fortalecer a aprendizagem e criar oportunidades que acompanham as pessoas por toda a vida.


O Brasil possui uma comunidade científica qualificada, mas ainda enfrenta dificuldades para garantir a continuidade de pesquisas e transformar conhecimento em benefícios concretos para a população. Nesse cenário, o investimento social privado tem um papel complementar ao poder público, especialmente no apoio a iniciativas que precisam de recursos para desenvolver, testar e ampliar suas propostas.


Na Fundação Maria Emília, essa compreensão orienta uma trajetória de 28 anos de investimentos em saúde e educação. Desde 2019, foram destinados mais de R$ 45 milhões a essas áreas, sendo R$ 15 milhões somente em 2025. Nos últimos seis anos, 77 projetos receberam apoio da instituição. Esses números representam uma responsabilidade que vai além da destinação de recursos: acompanhar resultados e contribuir para que o conhecimento produzido alcance a sociedade.


Um exemplo é o desenvolvimento de uma pesquisa sobre tuberculose, HIV e outras infecções em populações indígenas urbanas do Amazonas, coordenada pelo médico e pesquisador baiano Bruno Bezerril. O estudo contribui para identificar problemas de saúde e encaminhar pessoas para acompanhamento na rede pública. Seus resultados também abriram possibilidades de diálogo com autoridades locais para ampliar as ações a outras comunidades.


Experiências como essa demonstram que o impacto da pesquisa não se limita às publicações científicas. Ele também pode ser percebido na capacidade de orientar decisões, melhorar serviços e responder às necessidades de populações historicamente pouco atendidas.


É com essa perspectiva que a Fundação Maria Emília lançou, em 2026, a chamada aberta FME Transforma, voltada ao financiamento de projetos em cinco áreas: inovação tecnológica em saúde, saúde pública e meio ambiente, saúde na infância e adolescência, envelhecimento saudável e acesso e qualidade em educação. A iniciativa prevê investimentos de até R$ 1 milhão por projeto, conforme seu porte e suas necessidades.


A abertura de oportunidades de financiamento também amplia a possibilidade de identificar iniciativas desenvolvidas fora dos grandes centros, aproximando instituições, pesquisadores e organizações da sociedade civil que conhecem os desafios de seus territórios.


Mas financiar projetos é apenas parte da responsabilidade. É fundamental avaliar sua viabilidade, acompanhar sua execução e compreender os resultados produzidos. O impacto social exige planejamento, critérios técnicos e compromisso com a utilização dos recursos.


Para a Bahia, fortalecer esse ambiente significa reconhecer o potencial das instituições locais e criar condições para que o conhecimento produzido no estado contribua para enfrentar desafios nacionais. A articulação entre universidades, organizações sociais, poder público e financiadores privados pode favorecer esse processo.


O futuro da ciência e da educação depende das decisões tomadas no presente. Investir nessas áreas é apostar na capacidade das pessoas e das instituições de construir respostas duradouras para problemas que afetam milhões de brasileiros(as). E essa é uma responsabilidade que precisa ser compartilhada.


*Thamile Accioly é diretora executiva da Fundação Maria Emília, instituição privada sem fins lucrativos, sediada em Salvador, que investe recursos próprios em iniciativas de saúde e educação no Brasil.

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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