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Porque o diagnóstico precoce do retinoblastoma é decisivo

Por Fátima Neri

Foto: Divulgação

A perda da visão é uma questão bastante delicada na vida de qualquer indivíduo e envolve uma série de adaptações e acompanhamento médico especializado frequente. Mas pode ser ainda mais impactante para o desenvolvimento infantil. Entre as diversas condições que acompanhamos, quero destacar o retinoblastoma. Trata-se de um tumor ocular mais frequente na infância e, embora seja uma doença rara, correspondendo a 2% dos cânceres infantis, sua evolução pode ser rápida, se não for identificada a tempo.

 

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Pediatria registra cerca de 400 novos casos anualmente, sobretudo em crianças de até 5 anos. Quando o diagnóstico é feito precocemente, as chances de cura chegam a 90%. No entanto, metade dos casos ainda chega aos consultórios de forma tardia, um índice preocupante que reduz drasticamente as chances de salvar o globo ocular e preservar a visão da criança.

 

O principal sinal de alerta é a leucocoria — a presença de um reflexo esbranquiçado na pupila, frequentemente notado em fotografias tiradas com flash, em vez do brilho avermelhado habitual. Outros indícios incluem o surgimento recente de estrabismo, tremores involuntários, olhos vermelhos persistentes, dor ou qualquer alteração na aparência das pupilas. Esses sintomas nem sempre significam um tumor, mas exigem, sem exceção, uma avaliação oftalmológica imediata.

 

Na prática médica, o diagnóstico é realizado por meio de exames especializados, como o mapeamento minucioso da retina com dilatação da pupila e ultrassonografia ocular. A medicina evoluiu consideravelmente e hoje dispomos de opções terapêuticas que vão desde tratamentos locais a laser e quimioterapia até procedimentos cirúrgicos.


A maior complexidade para o diagnóstico precoce está no fato de que crianças pequenas raramente conseguem perceber ou comunicar que estão enxergando menos, sobretudo quando o tumor afeta apenas um dos olhos. Elas continuam brincando, correndo e realizando suas tarefas normais, enquanto a doença avança em silêncio. Por isso, a atenção constante de pais, familiares, educadores e pediatras torna-se a primeira e mais importante linha de defesa.

 

O objetivo prioritário é sempre salvar a vida da criança e, em seguida, buscar a preservação do olho e do máximo de capacidade visual possível. O diagnóstico precoce pode salvar a vida e essa é uma responsabilidade que começa em casa, com um olhar atento e uma foto que pode revelar mais do que um sorriso.

 

*Fátima Neri é médica oftalmologista e coordenadora de saúde do Instituto de Cegos da Bahia

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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