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Radiação UV em níveis extremos reforça a importância da proteção diária da pele

Por Gal Leto

Foto: Divulgação

A Bahia vive dias de intensa incidência de radiação ultravioleta (UV), com registros que chegaram ao Índice Ultravioleta (IUV) 11 em diferentes municípios do estado, classificação considerada extrema. Em Salvador, o índice chegou a 10, nível muito alto. Mais do que o desconforto causado pelo sol forte, esses números chamam atenção para um aspecto que precisa fazer parte da rotina de cuidados com a saúde: os efeitos acumulativos da exposição à radiação UV.

 

A radiação ultravioleta é um dos principais fatores relacionados ao desenvolvimento do câncer de pele. Seus efeitos não são percebidos apenas imediatamente, como acontece nas queimaduras solares. Ao longo dos anos, a exposição repetida pode provocar alterações nas células da pele, contribuindo também para o envelhecimento precoce e para o surgimento de diferentes tipos de câncer cutâneo.

 

Por isso, em uma região como a Bahia, onde a exposição solar faz parte da rotina durante praticamente todo o ano, a fotoproteção não deve ser encarada como um cuidado exclusivo para dias de praia ou períodos de férias.

 

A proteção precisa fazer parte da rotina. Quando os índices de radiação UV estão muito altos ou extremos, a recomendação é combinar diferentes estratégias de proteção. O protetor solar é fundamental, mas não deve ser considerado a única barreira contra a radiação.

 

Um equívoco bastante comum é acreditar que a aplicação do filtro solar permite permanecer por mais tempo sob o sol. Na realidade, o protetor deve ser utilizado como parte de uma estratégia de proteção e não como uma autorização para prolongar a exposição.

 

Sempre que possível, é importante evitar a exposição direta nos horários de maior intensidade da radiação, especialmente entre 10h e 16h, buscar locais com sombra e utilizar barreiras físicas, como chapéus de abas largas, roupas que cubram a pele e óculos com proteção contra os raios UV.

 

O protetor solar deve ser aplicado nas áreas expostas antes de sair de casa e reaplicado ao longo do dia, principalmente após transpiração intensa, banho de mar ou piscina. Também é importante não esquecer regiões que frequentemente ficam desprotegidas, como orelhas, pescoço, colo, mãos e lábios.

 

Crianças e pessoas que passam muitas horas ao ar livre precisam de atenção redobrada, assim como indivíduos com histórico pessoal ou familiar de câncer de pele.

 

Sol forte não é sinônimo de maior radiação UV. Outro ponto que merece atenção é a falsa sensação de segurança provocada por dias nublados ou temperaturas mais amenas. A sensação térmica não determina a intensidade da radiação ultravioleta.

 

Mesmo quando o calor não parece tão intenso, os raios UV podem atingir a pele. Essa radiação pode chegar de forma direta, ser dispersada pela atmosfera ou refletida por superfícies como água, areia e outras áreas claras.

 

Por isso, a proteção deve ser mantida mesmo quando não há aquela sensação característica de "sol muito quente".

 

A pele acumula a história da exposição solar. Nossa pele registra, ao longo dos anos, os efeitos da exposição à radiação ultravioleta. As queimaduras solares são apenas uma das manifestações mais evidentes desse processo. A exposição repetida e acumulada pode contribuir para alterações celulares, fotoenvelhecimento e aumento do risco de câncer de pele.

 

Esse caráter cumulativo reforça a importância de começar a proteção desde cedo e mantê-la ao longo da vida.

 

Além da prevenção, também é fundamental conhecer a própria pele e observar o surgimento de novas lesões ou mudanças em pintas já existentes. Alterações de tamanho, formato ou cor, feridas que não cicatrizam, além de lesões que coçam, descamam ou sangram, devem ser avaliadas por um dermatologista.

 

O diagnóstico precoce faz diferença. O câncer de pele está entre os tipos de câncer mais frequentes e, quando identificado precocemente, apresenta grandes possibilidades de tratamento bem-sucedido. Por isso, não devemos esperar o aparecimento de uma lesão suspeita para começar a cuidar da pele.

 

A prevenção acontece diariamente, por meio de escolhas simples: reduzir a exposição nos horários de maior radiação, buscar sombra, utilizar roupas e acessórios de proteção e aplicar corretamente o protetor solar.

 

Os episódios de radiação UV muito alta ou extrema registrados na Bahia funcionam como um importante lembrete de que a fotoproteção precisa ser incorporada aos hábitos cotidianos. Mais do que uma preocupação relacionada ao verão ou aos dias de praia, proteger a pele é uma medida permanente de cuidado com a saúde.

 

Em uma região de elevada exposição solar como a nossa, cuidar da pele hoje é também uma forma de preservar sua saúde para o futuro.

 

*Gal Leto é Dermatologista – CRM 15533/ RQE 7837

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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