A tecnologia como aliada fundamental da resolutividade na saúde moderna
A modernização dos serviços de saúde no Brasil é um reflexo direto de uma sociedade que busca eficiência sem abdicar da segurança clínica. De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Telemedicina e Saúde Digital, (ABTms), o volume de atendimentos médicos remotos no país cresceu mais de 300% desde 2020. Esse avanço resultou em mais de 7,5 milhões de consultas realizadas apenas em 2024, consolidando o ambiente digital como uma via preferencial e confiável de cuidado. O que antes era uma alternativa emergencial tornou-se um pilar estratégico da medicina contemporânea, garantindo que o cuidado chegue ao paciente de forma ágil.
Esse cenário de inovação tem sustentação jurídica, especialmente após a regulamentação trazida pela Lei 14.510 de 2022. Esta legislação transformou a telessaúde em uma prática permanente no Brasil, oferecendo as garantias necessárias para que profissionais e pacientes explorem o máximo potencial das ferramentas tecnológicas. A transição para o modelo de telemedicina ampliada representa o passo seguinte dessa evolução, permitindo que a distância física seja superada por uma capacidade diagnóstica cada vez mais completa e precisa.
O grande diferencial dessa modalidade reside na capacidade de coletar evidências clínicas detalhadas antes mesmo do início da conversa com o especialista. Por meio de dispositivos conectados ao sistema através da internet das coisas, tecnologia conhecida como internet of things, é possível aferir dados vitais com precisão técnica superior. Esse ambiente permite a realização de exames como pressão arterial, frequência cardíaca, temperatura e oximetria, além de auscultas cardíaca e pulmonar. A tecnologia possibilita ainda a prática de oroscopia, exame clínico da cavidade oral e orofaringe, otoscopia, exame físico para avaliar as estruturas do ouvido, e a captura de imagens de pele para análise.
O monitoramento clínico ganha profundidade analítica com a medição de glicemia e a realização de bioimpedância, que detalha informações sobre peso, índice de massa corporal, gordura corporal, massa óssea, proteína, massa muscular, gordura visceral, metabolismo basal e água corporal total. O resultado dessa integração tecnológica é uma assistência muito mais assertiva e embasada em dados reais acessados simultaneamente. Estes são sinais de como a modernidade, mais uma vez, tem facilitado a rotina dos pacientes ao reduzir deslocamentos e atenuar o tempo de espera, mantendo o rigor técnico que a medicina exige. Isso legitima um cenário onde a saúde digital avança para um patamar onde a qualidade do atendimento é ditada pela precisão da informação e pela facilidade de acesso ao cuidado especializado.
*Claudia Velasco é Diretora Médica da Clínica SiM
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