Cuidar dos rins é cuidar do futuro
O Dia Mundial do Rim é celebrado sempre na segunda quinta-feira do mês de março. Em 2026, será no dia 12. Criado pela Sociedade Internacional de Nefrologia, é uma campanha global de conscientização sobre a saúde renal e completa, em 2026, 20 anos. No Brasil, país com maior número de atividades no mundo, a iniciativa é coordenada pela Sociedade Brasileira de Nefrologia. Em 2026, serão mais de 1400 ações, espalhadas por todo o país - um sinal de mobilização, mas também de grande desafio.
A doença renal crônica é mais comum do que imaginamos. Estima-se que uma em cada dez pessoas tenha algum grau da doença. A maioria não sabe. Não sente dor. Não percebe sintomas. Quando descobre, muitas vezes já está na fase avançada.
Os rins exercem funções vitais: filtram o sangue, controlam a pressão arterial, regulam eletrólitos e produzem hormônios. Quando falham, todo o organismo sofre. Hipertensão e diabetes são os principais fatores de risco, mas não os únicos. Obesidade, envelhecimento, doenças cardiovasculares, histórico familiar, uso indiscriminado de medicamentos e episódios repetidos de infecção urinária podem comprometer a função renal ao longo do tempo.
A boa notícia é que o rastreio é simples, acessível e disponível no sistema público de saúde. Dois exames de baixo custo são fundamentais: a dosagem da creatinina no sangue, que permite estimar a função dos rins, e o exame simples de urina, capaz de detectar perda de proteína ou alterações precoces. Não é preciso tecnologia sofisticada para identificar a doença em seus estágios iniciais - é preciso prioridade.
Investir em prevenção e diagnóstico precoce não é apenas uma estratégia clínica; é uma decisão econômica e social. Quando a doença renal crônica progride sem controle, muitos pacientes necessitam de hemodiálise, diálise peritoneal ou transplante renal. A diálise mantém a vida, mas tem alto custo e impacta na rotina do paciente e de sua família.
O Brasil vive uma crise humanitária na diálise. O subfinanciamento crônico do setor ameaça a sustentabilidade das clínicas e compromete a expansão de vagas, enquanto o número de pacientes cresce. Tratar tardiamente custa muito mais - em recursos, em produtividade e, sobretudo, em vidas.
Precisamos inverter essa lógica. Ampliar o acesso aos exames básicos na atenção primária, capacitar equipes de saúde e educar a população são medidas de alto impacto. Detectar cedo pode ajudar a implementar medidas para preservar função renal, evitar complicações cardiovasculares e reduzir a necessidade de terapias complexas e onerosas.
No Dia Mundial do Rim, o convite é simples: dose sua creatinina, faça o exame de urina, conheça seus fatores de risco e valorize a prevenção.
*Ana Flávia Moura é presidente da Sociedade Baiana de Nefrologia (SBN Bahia)
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