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Protagonismo feminino na saúde exige prevenção contínua e mudança de mentalidade

Por Anna Paola Noya Gatto

Março é um mês simbólico. No Mês da Mulher, ampliamos discussões sobre direitos, equidade e protagonismo. Na saúde, esse protagonismo passa, necessariamente, pela prevenção, pelo diagnóstico precoce e pelo acesso à informação de qualidade. Ao longo de mais de três décadas dedicadas à mastologia, acompanhei de perto a transformação da medicina voltada ao público feminino, e também os desafios que ainda persistem.

 

Quando iniciei minha trajetória, no início da década de 1990, a presença feminina na medicina especializada ainda era menor, e falar abertamente sobre câncer de mama, menopausa ou saúde hormonal era um tabu. A mamografia começava a se consolidar como ferramenta essencial de rastreamento, mas o acesso era limitado e a cultura preventiva ainda engatinhava.

 

Hoje sabemos, com base em evidências científicas e nas diretrizes da Sociedade Brasileira de Mastologia, que o diagnóstico precoce é determinante para aumentar as chances de cura do câncer de mama. Tumores identificados em fases iniciais permitem tratamentos menos agressivos e com melhores resultados. Ainda assim, muitas mulheres deixam de realizar exames regularmente, seja por medo, desinformação ou dificuldade de acesso aos serviços de saúde.

 

Outro ponto que merece atenção é a tendência crescente de informações distorcidas nas redes sociais. Notícias falsas têm desencorajado a realização de mamografias e confundido pacientes sobre riscos e benefícios dos exames. Informação é ferramenta de cuidado. Sem ela, perdemos tempo precioso na prevenção.

 

Ao longo dos anos, também observei uma mudança importante na forma como entendemos a saúde feminina. Não é possível tratar a mulher de maneira fragmentada. Aspectos hormonais, metabólicos, emocionais e sociais estão interligados. A transição para a menopausa, por exemplo, ainda é cercada por preconceitos e interpretações equivocadas. Sintomas são muitas vezes minimizados ou atribuídos apenas ao envelhecimento, quando poderiam ser avaliados com mais atenção e cuidado.

 

A prevenção precisa ser contínua e adaptada a cada fase da vida. Mulheres jovens devem estar atentas ao autoconhecimento corporal e às orientações médicas adequadas para sua faixa etária. Na fase adulta, o acompanhamento anual torna-se fundamental para monitorar alterações mamárias, saúde ginecológica e fatores de risco cardiovascular. Já na maturidade, o olhar deve ser ampliado para questões hormonais, ósseas e metabólicas.

 

Protagonismo feminino na saúde significa participação ativa nas decisões médicas. Significa fazer perguntas, buscar segunda opinião quando necessário, compreender resultados de exames e não silenciar sintomas. A mulher não deve ocupar um papel passivo diante do próprio cuidado.

 

Também é essencial discutir políticas públicas que garantam acesso universal ao rastreamento e ao diagnóstico precoce. A desigualdade regional ainda impacta diretamente os índices de mortalidade por câncer de mama no Brasil. Investir em prevenção não é apenas uma escolha individual, é uma responsabilidade coletiva.

 

Após mais de 35 anos de atuação, sigo convencida de que o maior avanço da medicina feminina não está apenas na tecnologia, mas na consciência. Quando a mulher compreende seu corpo e assume o protagonismo de suas escolhas, ela transforma sua própria trajetória de saúde.

 

No Mês da Mulher, meu convite é simples e direto: não adie seus exames, não minimize seus sintomas e não aceite a desinformação como resposta. Prevenção é cuidado contínuo. E cuidar de si mesma é um ato de força, autonomia e responsabilidade.

 

*Anna Paola Noya Gatto é Mastologista e CEO da Clínica da Mulher

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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