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Dia Mundial de Conscientização sobre o Câncer de Rim: o alerta necessário para um inimigo silencioso

Por Lucas Batista

Foto: Divulgação

A incidência do câncer renal tem crescido de forma significativa nos últimos anos, acendendo um alerta para a medicina. Responsável por cerca de 3% dos tumores urológicos, a doença causou mais de 15 mil mortes no Brasil entre 2020 e 2023, segundo dados do Ministério da Saúde. Diante desse cenário, o Dia Mundial de Conscientização sobre o Câncer de Rim, celebrado em 18 de junho, representa uma oportunidade fundamental para ampliar o debate sobre esse tipo de câncer, que costuma evoluir de maneira silenciosa. A data busca alertar para os principais fatores de risco, estimular o diagnóstico precoce e reforçar a importância da informação como ferramenta de prevenção.

 

Entre 2020 e 2024, mais de 19 mil nefrectomias, cirurgias para remoção total ou parcial do rim com finalidade oncológica, foram realizadas no Brasil pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A Bahia também acompanha essa tendência, com mais de 400 procedimentos realizados no mesmo período. Esses dados reforçam a importância de medidas eficazes de prevenção, autocuidado e, sobretudo, de diagnóstico precoce. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de um tratamento eficaz, com melhores desfechos clínicos e maior preservação da função renal.

 

O tabagismo é, sem dúvida, o principal fator de risco. A cada tragada, centenas de substâncias tóxicas penetram na corrente sanguínea, circulam pelo corpo e se concentram nos rins, provocando lesões que podem evoluir para tumores ao longo do tempo. Obesidade, hipertensão, sedentarismo, histórico familiar, exposição a solventes industriais e predisposição genética também estão associados ao surgimento do tumor renal. Infelizmente, muitos pacientes só descobrem a doença em estágios avançados, quando as chances de cura são menores. Isso ocorre porque, na fase inicial, o tumor costuma ser assintomático.

 

Com a progressão da doença, alguns sinais podem surgir, como dor persistente na região lombar ou lateral do abdômen, sangue na urina (hematúria), perda de peso involuntária, febre sem causa aparente, fadiga excessiva, massa abdominal palpável e anemia. É fundamental que a população conheça esses sintomas e procure avaliação médica diante de qualquer anormalidade.

 

O tratamento padrão para o câncer de rim é cirúrgico. A boa notícia é que, com os avanços tecnológicos, hoje é possível realizar a retirada apenas da parte afetada, preservando a função renal sempre que possível. Essa estratégia é especialmente importante em pacientes com rim único ou com função renal reduzida. Técnicas como a laparoscopia e a cirurgia robótica permitem uma abordagem precisa, com inúmeras vantagens: incisões menores, menor sangramento, menos dor no pós-operatório, menor risco de infecção e recuperação mais rápida. Na cirurgia robótica, por exemplo, a utilização dos braços articulados do robô, com câmera de alta definição e movimentos milimétricos, proporciona total controle e visão ampliada, garantindo a retirada completa do tumor com mínima agressão ao tecido saudável.

 

A conscientização sobre o câncer de rim precisa ultrapassar a data simbólica. Ela deve se transformar em um compromisso permanente com a saúde pública. A adoção de hábitos saudáveis ao longo da vida ainda é a melhor forma de prevenir a doença. Aliado a isso, a realização de exames de rotina, especialmente entre os grupos de risco, aumenta significativamente as chances de cura.


*Lucas Batista é urologista, cirurgião robótico, chefe dos serviços de Urologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e do Hospital Cárdio Pulmonar. CRM 14227 / RQE 6879

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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