Morte de recém-nascida em Seabra desencadeia denúncias de violência obstétrica e possível negligência na Maternidade Frei Justo Venture
Por Amanda Cruz, de Seabra
A morte de uma recém-nascida na Maternidade Frei Justo Venture, em Seabra, na última terça-feira (7), provocou comoção na Chapada Diamantina e deu início a uma série de relatos públicos de mulheres que afirmam ter enfrentado situações semelhantes durante atendimentos obstétricos na unidade.
Segundo relato divulgado pela avó da bebê, a gestante deu entrada na maternidade no último domingo (5), já em trabalho de parto e com fortes dores. Conforme a família, após constatação de dilatação inicial, a equipe médica optou pela administração de medicamentos para aliviar o desconforto. Ainda de acordo com o depoimento, na segunda-feira (6), exames teriam apontado alterações nos batimentos cardíacos do bebê em dois momentos. A equipe informou que aguardaria a normalização do quadro antes de iniciar a indução do parto, procedimento que, segundo a família, começou por volta da meia-noite.
A avó afirma que a gestante permaneceu em trabalho de parto entre a madrugada e o início da tarde da última terça-feira (7), quando foi encaminhada à sala de parto. Conforme o relato, durante todo o procedimento os profissionais informavam que os batimentos cardíacos permaneciam normais. No entanto, a bebê nasceu sem respirar, sem chorar e com coloração arroxeada. Um médico foi chamado para realizar manobras de reanimação, mas a criança não resistiu.
A família também afirma que a gestante já havia procurado atendimento na maternidade no último dia 1º de julho, após apresentar perda de líquido amniótico. Segundo o relato, ela recebeu alta sem realização de ultrassonografia. No momento do parto, conforme os familiares, teria sido constatada ausência de líquido amniótico e presença de mecônio intrauterino. As alegações, entretanto, ainda não foram confirmadas por investigação oficial.
Após a divulgação do caso, publicações em redes sociais reuniram centenas de comentários de mulheres que relataram experiências semelhantes envolvendo a maternidade, citando demora no atendimento, dificuldades para serem ouvidas durante o trabalho de parto, atrasos em procedimentos e situações classificadas por elas como violência obstétrica. Os relatos também motivaram manifestações em frente à unidade, onde moradores cobraram apuração do caso e responsabilização, caso sejam constatadas irregularidades.
Em nota divulgada na última sexta-feira (10), a Maternidade Frei Justo Venture manifestou pesar pela morte da recém-nascida e informou que a paciente permaneceu sob acompanhamento contínuo de equipe multiprofissional durante toda a internação. A direção afirmou que as condutas seguiram os protocolos assistenciais, que as manobras de reanimação neonatal foram iniciadas imediatamente após o nascimento e que o caso passa por revisão técnica, incluindo análise do prontuário e dos registros assistenciais.
Ainda segundo a unidade, a avaliação preliminar não identificou, até o momento, elementos que caracterizem violência obstétrica. A maternidade informou que permanece à disposição das autoridades competentes para prestar esclarecimentos e destacou que realizou 2.937 atendimentos no primeiro semestre de 2026, atendendo pacientes de mais de 30 municípios da região.
NOTA NA ÍNTEGRA:
A Maternidade Frei Justo Venture manifesta profundo pesar pelo óbito fetal ocorrido na unidade e se solidariza com a paciente e seus familiares neste momento de dor.
A paciente permaneceu internada sob acompanhamento contínuo de equipe multiprofissional durante todo o período de internação.
As condutas adotadas foram pautadas na evolução clínica e obstétrica, com monitorização materna e fetal, conforme os protocolos assistenciais da unidade. Após o nascimento, a equipe iniciou imediatamente as manobras avançadas de reanimação neonatal, empregando todos os recursos indicados para a situação, porém sem êxito.
O caso encontra-se sob rigorosa análise técnica, com revisão do prontuário, dos registros assistenciais e dos demais elementos relacionados ao atendimento. Até o presente momento, a avaliação preliminar não identificou elementos objetivos que permitam afirmar a ocorrência de violência obstétrica, permanecendo a apuração em andamento até a conclusão da investigação técnica.
A Maternidade Frei Justo Venture permanece à disposição das autoridades competentes para todos os esclarecimentos necessários e reafirma seu compromisso com a transparência, o acolhimento às famílias, a segurança da assistência e a melhoria contínua dos seus processos.
É importante destacar que a Maternidade Frei Justo Venture mantém assistência obstétrica permanente à população da região e realizou 2.937 atendimentos no primeiro semestre de 2026, atendendo mais 30 municípios da região, evidenciando o trabalho contínuo desenvolvido por sua equipe em favor da saúde materno-infantil.