‘Minha possibilidade de cura’, diz professor que pede pílula da USP para tratar câncer
Por Bruno Luiz
“Qual a importância da ‘fosfo’ para mim, hoje? Pelo que já pude ouvir no hospital, lá já se esgotaram todos os meios capazes de restaurar minha saúde. Quando isso aconteceu, minha esposa, sendo muito diligente, buscou imediatamente outros caminhos; naturalmente, um dos foi ir ao encontro da ‘fosfo’. Caio, meu filho, juntamente com ela, fizeram e fazem toda diferença neste processo. Veio a primeira remessa e começamos a tomar as cápsulas; deu para notar a diferença logo no início. Para quem vinha tomando até 15 morfinas ao dia, às vezes usando potencializadores, tipo, dipironas, para reforçar as morfinas, com a chegada da fosfo, zeramos em poucos dias o uso da morfina e outros medicamentos. Minha língua deu logo sinais de cicatrização, as dores localizadas na língua, ouvidos, garganta e pescoço, etc., deram sinais de enfraquecimento, de maneira que a fosfo significa, por experiência própria, a possibilidade real da minha cura total. Se não houvesse parado com o tratamento da fosfo, hoje, eu já seria outro homem, levando uma vida normal, fazendo tudo aquilo que uma pessoa normal faz”. Este é o depoimento escrito por um homem desacreditado pela medicina e pela ciência, mas que, à beira da morte, encontrou em uma substância a esperança de se manter vivo. Lutando contra um agressivo câncer na língua, o professor Élio Martins de Carvalho, de 58 anos, se viu sair da condição de paciente terminal para observar uma grande melhora em seu quadro clínico, ao passar a receber da Universidade de São Paulo (USP) cápsulas de fosfoetanolamina, chamada de “pílula do câncer”. A substância é produzida no laboratório do Instituto de Química de São Carlos. Com os bons resultados registrados, pacientes com a doença têm tentado na Justiça obter as cápsulas da instituição de ensino paulista. A substância ainda não foi testada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, por isto, não é comercializada. Por força de ordens judiciais, a USP tem sido obrigada a fornecer o composto. Depois de ter suspenso o acesso à substância, Carvalho voltou a apresentar piora em seu estado de saúde. Em uma batalha pela vida do pai, seu filho, Kayo Machado, estudante da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (Ufrb), iniciou uma mobilização para pressionar a instituição a enviar novas remessas do componente. Moradora de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, a família corre contra o tempo para tentar salvar a vida de Élio. “Uns 15 dias antes da primeira remessa terminar, começamos a mandar e-mail e a ligar para USP todos os dias. E eles sempre respondiam que ‘amanhã vai’. Nisso, nunca veio. Ao continuarmos a entrar em contato, eles mandaram e-mail dizendo que, por ordem da Procuradoria da universidade, o envio de novas remessas estava suspenso”, relatou Kayo em entrevista ao Bahia Notícias.

Foto mostra melhora do paciente após passar a consumir a substância | Foto: Arquivo Pessoal
A família quer que a universidade cumpra decisão liminar que a obrigou a fornecer a fosfoestanolamina ao professor. “A nossa ação está ganha. Nós acionamos a Justiça três vezes, procuramos a Justiça pra fazer a USP cumprir a liminar, que não foi suspensa. Judicialmente, não temos mais o que fazer”, lamenta. Hospedados em um quarto e sala na cidade de Jales (SP) em busca de tratamento para Élio, eles enfrentam atualmente outro drama. Com os gastos gerados por viagens, exames e medicamentos para conter a doença, a familia se vê sem recursos financeiros para continuar o tratamento e, muitas vezes, conta com a solidariedade de parentes e amigos na luta pela vida do professor. “Todos os recursos físicos, financeiros e emocionais foram exauridos. O estado dele é gravíssimo. A gente credita ele estar vivo por três coisas: Deus, a persistência dele e os cuidados de minha mãe”, afirma o estudante. Para tentar pressionar a USP, Kayo criou um abaixo-assinado na internet (veja aqui). Em pouco mais de 24h, o documento já contabilizava 8.968 assinaturas. Ao lado do marido na batalha contra o câncer, Suely Machado se junta ao filho dia e noite nos cuidados com ele. Na semana passada, ela viveu um dos momentos mais díficeis desde a descoberta da doença. Ao chegar ao quarto, se desesperou ao ver o marido quase morto. Entretanto, mais uma vez, a pílula do câncer deu um sopro de vida a Élio. “Na quinta-feira, eu pensei que ele tinha morrido. Cheguei no quarto, vi ele desacordado, a cama toda ensanguentada. Peguei minha bolsa e, nela, achei um comprimido perdido. Peguei e dei pra ele. Ele ficou três dias restaurados. Quando foi essa madrugada, ele começou a pedir morfina”, relata o episódio que ilustra a importância da substância no tratamento do marido. Ciente de quanto o tempo e a pílula são essencias para salvar a vida do pai, o jovem Kayo faz um apelo: “A única coisa que queremos é que eles enviem a pílula. A expectativa é que a gente consiga”. Para assinar a petição, clique aqui.