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Esquema de favorecimento em licitação em Campo Lourdes de Alegre contava com acordo com ex-prefeito

Por Redação

Foto: Reprodução / News.ba

Uma investigação aponta suspeitas de fraude em licitação para pavimentação asfáltica em Campo Alegre de Lourdes, no Vale do São Francisco, próximo à divisa da Bahia com Pernambuco. O projeto, financiado por um empréstimo de R$ 12,7 milhões junto à Desenbahia, teria sido direcionado para beneficiar uma empresa previamente escolhida, antes mesmo da publicação do edital, segundo uma denúncia.


De acordo com relatos obtidos pelo Bahia Notícias de fontes ligadas à antiga gestão da prefeitura, ainda na gestão de Enilson da Silva, conhecido como Dr. Enilson (PCdoB), ocorreu um esquema detalhado sobre a execução do convênio de um contrato de pavimentação.

 

"Em março, o prefeito assinou o convênio e lançou o edital. Kauryn Pimentel tinha uma das empresas na disputa e ficou na 5ª posição. Após a desclassificação das 4 primeiras, a disputa se encerrou entre uma empresa e Queiroz Pimentel. Acreditávamos (gabinete do prefeito) que essa a empresa pertencia ao grupo político da oposição e o prefeito revelou o temor", conta uma fonte da gestão do município. 

 

Em uma reunião em novembro de 2023, foram discutidos detalhes antecipadamente à publicação do edital, que sairia em 16 de março de 2024, incluindo as porcentagens que seriam repassadas a uma das empresas que disputaria a licitação, a Queiroz Pimentel.

 

"Nesta reunião foi ajustado tudo que iria acontecer financeiramente com a Vitória da Queiroz Investimentos, o empresário da empresa, o sócio, o engenheiro. Então, antes mesmo da assinatura do convênio, o sócio-administrativo da empresa participou de uma reunião na qual ele foi favorecido na licitação, feito um ajuste de valores de beneficiamento caso ele ganhe”, revela uma fonte anônima. 


Algumas conversas e registros de encontros em um escritório da empresa vencedora reforçam as suspeitas. Há também relatos de reuniões entre representantes da empresa que presta serviço para a licitação e agentes da Secretaria de Governo, onde possivelmente foram acertados os detalhes do direcionamento da concorrência.


A preocupação do então ex-prefeito Enilson era a possibilidade de perder a licitação para Agnolio Boson, investigado por fraudes em licitação desde 2008. Relatórios, áudios e mensagens indicam reuniões estratégicas para garantir que a empresa Queiroz Pimentel fosse beneficiada no processo.


Um áudio atribuído a Enilson expõe sua preocupação: "O meu problema é estar avisando aqueles escumungados adversários a respeito disso aí para eles se prepararem para a concorrência, tu entendeu? Porque eu estava achando melhor não falar".

 

Outro áudio, de um empresário sócio da empresa, esclarece detalhes do pagamento: "Eu falei que não sobre o pagamento. A expressão já foi feita, só que quando faz a expressão eles não pagam no mesmo dia. Manda para Salvador, tem todo um processo, normalmente demora uns 8 a 10 dias".

 

As acusações apontam para um esquema montado para favorecer a Queiroz Pimentel e evitar que a oposição assumisse o contrato. A participação de membros do gabinete e o envolvimento direto do ex-prefeito evidenciam a gravidade da denúncia, que reforça a necessidade de uma apuração rigorosa sobre o caso.

 

Fontes afirmam que o acordo foi cumprido conforme planejado, com os pagamentos sendo realizados consoante as medições das obras. A gravidade das denúncias reforça a necessidade de uma investigação aprofundada sobre possíveis irregularidades no uso de recursos públicos e favorecimento em processos licitatórios na região.

 

O Bahia Notícias procurou o ex-prefeito para esta reportagem, mas até o momento da publicação não houve resposta.

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