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Camaçari: Grupo representa contra prefeitura por crime ambiental e racismo religioso

Por Mari Leal / Lula Bonfim

Foto: Divulgação / ACIS

A Associação Cultural e Inclusão Social (ACIS) representou contra a prefeitura de Camaçari, junto ao Ministério Público, por racismo religioso e crime ambiental, devido a construção de um campo de futebol e de uma fonte artificial na região do Parque Municipal das Dunas de Abrantes, nos arredores de um espaço tradicionalmente utilizado pela comunidade candomblecista do distrito de Vilas de Abrantes.

 

Segundo a ACIS, no local em que a prefeitura está construindo um novo espaço público, há hoje uma fonte em que praticantes do Candomblé realizam celebrações religiosas, nas proximidades do Parque Municipal das Dunas de Abrantes, área de proteção ambiental. A associação alega ainda que não houve qualquer estudo de impacto, para avaliar as consequências da construção no meio-ambiente.

 

Antônio Marcos da Anunciação, morador de Abrantes e representante da ACIS, conta que tem sido ameaçado, por conta da sua atuação em defesa do local e da comunidade que utiliza a fonte. Ele está no Programa de Proteção dos Defensores de Direitos Humanos do estado. Segundo ele, as Dunas de Abrantes têm sido alvo de cobiça da especulação imobiliária.

 

“Esse espaço, que envolve área de proteção ambiental, é muito valorizado. Então existe um grupo que envolve membros do governo, grileiros e até o tráfico, para fazer a tomada desses espaços, lotear e vender, até de forma clandestina. Na verdade, o que há é cumplicidade. Milícias são articuladas contra movimentos da sociedade civil, protegendo interesses de grupo ligados a especulação imobiliária”, acusa o ativista, que conta ainda ter sido agredido por policiais em janeiro deste ano.

 

“Nós temos a intenção de fazer a preservação e continuar acessando a morada de Oxum, que é a fonte, que é a nascente. Continuamos desejando estar nas dunas, fazendo as trilhas, para justamente preservar a sua fauna. Essa é a nossa maior luta. Como tem muitos dentro do governo que não são sensíveis à questão afro-brasileira, entendemos também que há o preconceito, a intolerância religiosa, porque a comunidade tem outras religiões que fazem articulações com o governo. A gente percebe ataques de várias frentes”, analisou.

 

Obras já iniciadas pela prefeitura na região do "Tudão", onde fica a fonte de saudação a Oxum (Foto: Divulgação / ACIS)

 

“A ideia deles é desconstruir as identidades, eliminando as raízes, produzindo assim uma alienação, para que a comunidade não entenda o conceito do espaço ecológico que é o Parque das Dunas de Abrantes e não entenda que está em uma comunidade histórica, o verdadeiro centro histórico de Camaçari. Tudo começou aqui. E essa alienação promove o subdesenvolvimento, porque assim a comunidade fica refém de favores de integrantes desse grupo econômico", finalizou.

 

A prefeitura de Camaçari informou ao Bahia Notícias que a obra trata-se de uma requalificação da área, conhecida como “Tudão”. Segundo a gestão municipal, o projeto inclui as construções de uma quadra, uma praça, uma fonte luminosa e um quiosque, que não ficarão onde hoje fica a Fonte da Lavadeira, sede de celebrações religiosas.

 

Em nota, a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial da Bahia (Sepromi) informou que tem acompanhado o caso, inclusive oficiando o Ministério Público do Estado. Além disso, o órgão aproveitou para reafirmar “seu compromisso na defesa dos direitos da população negra, no combate a todas as formas de racismo, de intolerância religiosa e na promoção da igualdade racial na Bahia”.

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