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Notícia

Investimentos em hora crítica

Foto: Pixabay

A economia mundial atravessa tempos turbulentos. A queda expressiva da Bolsa brasileira na segunda-feira, 9 de março, reflete uma série de medos e incertezas políticas e econômicas no mundo. 


A grande preocupação do momento é o coronavírus, que demonstrou um potencial de difusão muito maior do que se esperava. A virose começou a chamar atenção no final de 2019 na China, onde as autoridades fecharam o cerco de modo draconiano. Desde então, ela já se alastrou para fora da Ásia, tendo se tornado um problema especialmente crítico na Itália e no Irã. 


O vírus chega a novos países, entre eles o Brasil e os Estados Unidos. As autoridades de saúde monitoram o problema. Não importa qual seja o sucesso em conter a doença, os impactos sobre a economia já são certos.


As estimativas tentam apontar quanto a questão vai desacelerar a atividade econômica mundial, reduzindo o crescimento esperado do PIB mundial. Já se sabe que as exportações e a produção industrial chinesas tiveram um enorme freio em janeiro, por exemplo.


Em março, o governo brasileiro vai divulgar uma nova estimativa do PIB para 2020. Atualmente, a projeção é de aumento de crescimento econômico de 2,4%. Embora essa já seja uma expectativa modesta em se tratando de um país saindo de crise, a tendência é a revisão do número para baixo.


Nessas horas de dúvida, é importante entender que tipo de investimento pode render, em que prazo e com que risco. Por exemplo, a Bitcoin cotação caiu no começo da semana para patamares de dois meses atrás. A longo prazo ela pode voltar a subir e gerar bons retornos.  


Tipos de ativos financeiros
As taxas de juros historicamente baixas, fixadas recentemente pelo Banco Central, tem levado a uma mudança no tipo de investimento que se faz no país. Até poucos anos atrás, a taxa era uma das maiores do mundo e isso estimulava os investidores em comprar títulos públicos, mas não investir tanto em ações, empréstimos a empresas e outras ações que estimulem as atividades produtivas.


Os títulos públicos são o tipo mais seguro de investimento porque acompanham taxas de referência da economia (inflação, Selic) e têm a garantia de devolução. Muitos deles podem ter o rendimento pré-fixado, algo impensável com investimentos de renda variável.


A redução da taxa de juros tornou pouco vantajoso investir nesses títulos. Atualmente, alguns deles têm rendimento abaixo da inflação, inclusive. Por isso, as ações passaram a demonstrar maior potencial de ganho, embora os preços dos papeis flutuem diariamente. O mesmo se aplica aos fundos de investimento imobiliários, outra opção de renda variável.


Outros tipos de ativos financeiros existentes são encarados como opções para diversificação. O mercado cambial, em especial o dólar, é o maior expoente deles. Os mercados de ouro e das criptomoedas também podem ser encarados dessa maneira.


O drama das ações e os ativos “para risco”
Até o começo de 2020, havia uma grande sensação de otimismo com a Bolsa de valores brasileira. Afinal de contas, o crescimento de índice Ibovespa foi monumental em 2019, atingindo a alta história de 115 mil pontos em janeiro de 2020. No entanto, vários alarmes soavam paralelamente à subida dos preços, recomendando cautela.


Durante todo o ano de 2019 houve grande preocupação com as tensões comerciais de Estados Unidos e China. A mudança de relacionamento do maior mercado comprador e do maior mercado vendedor do mundo “respinga” e causa grandes impactos no resto do mundo.


Uma das principais ações da Bolsa brasileira é da Petrobras. A empresa é tradicional e viu suas ações recuarem em preço 30% num só dia. O movimento acompanha a queda do preço do petróleo mundialmente, depois de a Arábia Saudita ter reduzido 


Apesar disso, isso não significa que a empresa vai quebrar ou que é um mau negócio investir em ações da empresa. Afinal, a economia nacional depende em grande parte da exportação de commodities e a Petrobras tem grande participação do Estado em sua direção – para o bem e para o mal. 


O petróleo segue sendo fundamental na nossa economia, na economia mundial e tanto a presença do coronavírus quanto da guerra de preços são passageiros. Não se sabe por quanto tempo durarão, mas a longo prazo a perspectiva é que a situação volte a se normalizar.


Pode fazer algum sentido manter ações diante do declínio dos preços se você for um investidor a longo prazo, que quer ver o dinheiro render e espera uma reversão. Mas se quer retorno a curto prazo, vai preferir realocar seu dinheiro. 


Diversificação
A diversificação de investimentos deve ser constante, mas não faz mal comprar mais dólares ou papéis com ganhos vinculados ao preço do dólar, ouro e até criptomoedas em momentos de “derretimento” do valor das ações. O ouro e o dólar se valorizam nos momentos de incerteza, pois são unidades de valor que valem mundialmente, portanto são vistos como possibilidade de o investidor preservar seu patrimônio.


Por outro lado, as criptomoedas são extremamente voláteis, mas continuam sendo tendências de tecnologia bem populares, de acordo com este artigo no Culturamix. Neste momento, sofrem queda acentuada e, portanto, estão mais acessíveis à compra. O sentido por trás de investir em criptoativos é enxergar seu potencial a longo prazo. 


Não se engane: atualmente, é um investimento de alto risco. Criptomoedas ainda têm preços muito oscilantes e são usados muito mais para especulação do que como meio de pagamento, diversas iniciativas apontam para uma ressignificação e para um ganho de importância dessas moedas em poucos anos. 


O plano do Facebook de criar a moeda virtual Libra e o projeto do governo chinês de desenvolver uma criptomoeda nacional são apenas a ponta do iceberg. Como vemos agora, a única certeza a longo prazo no mundo financeiro é a incerteza.

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