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Kakay deixa defesa de Ciro Nogueira, investigado no Caso Master

Por Redação

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O senador Ciro Nogueira deixará de ser representado pelo escritório do advogado Antônio Castro de Almeida, conhecido como Kakay, no inquérito da Polícia Federal (PF) relacionado ao Caso Master. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (11) por meio de nota do escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados, que informou que a decisão ocorreu em comum acordo com o parlamentar.

 

“O escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados vem comunicar que, em comum acordo com o senador Ciro Nogueira, não seguirá atuando para o parlamentar neste caso”, afirmou a banca em comunicado.

 

O senador foi alvo de mandado de busca e apreensão na última semana durante a quinta fase da Operação Compliance Zero. A ação incluiu diligências na residência de Ciro Nogueira, localizada no Lago Sul, em Brasília.

 

Segundo relatório encaminhado pela PF ao Supremo Tribunal Federal, o parlamentar mantinha relação com o banqueiro Daniel Vorcaro envolvendo interesses políticos e financeiros. De acordo com os investigadores, o senador teria atuado em favor do Banco Master no exercício da atividade parlamentar.

 

A PF sustenta que Ciro Nogueira teria exercido atuação alinhada aos interesses do grupo empresarial de Vorcaro e, paralelamente, recebido vantagens econômicas e patrimoniais. Entre os supostos benefícios apontados pelos investigadores estão a disponibilização gratuita de imóvel de alto padrão, custeio de viagens internacionais, pagamento de hospedagens de luxo, restaurantes e deslocamentos, além do uso de cartão destinado a despesas pessoais e indícios de recebimento de dinheiro em espécie e de uma mesada.

 

Conforme o portal Metrópoles, o senador adquiriu uma cobertura triplex avaliada em R$ 22 milhões em um edifício de luxo em São Paulo três meses após se tornar sócio de Daniel Vorcaro e 26 dias antes de apresentar a chamada “emenda Master”, mencionada pela PF como um dos elementos que ligariam o parlamentar ao banco investigado por suposta fraude bilionária contra o sistema financeiro.

 

A investigação também aponta suspeita de que Ciro Nogueira teria atuado “em favor do banqueiro Daniel Vorcaro, em troca do recebimento de vantagens econômicas indevidas”. Segundo a PF, o parlamentar receberia valores mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil do banqueiro. O senador nega as acusações.

 

Pouco antes de deixar a defesa do caso, Kakay afirmou, durante participação no programa “Acorda, Metrópoles”, que Ciro Nogueira não recebeu pagamentos de Vorcaro. O advogado declarou que a investigação deve demonstrar que o senador possuía patrimônio suficiente para adquirir o imóvel em São Paulo, avaliado em cerca de R$ 30 milhões.

 

“O Ciro é um homem rico, é um homem que herdou bastante. Ele está em um novo relacionamento e tem interesse em ficar mais tempo em São Paulo e comprou uma casa. Com o dinheiro dele. É muito fácil fazer uma investigação e ver se ele tinha patrimônio, se ele tinha lastro para comprar a casa”, afirmou.

 

Kakay também confirmou a relação de amizade entre o senador e o banqueiro, mas negou qualquer favorecimento entre as partes.

 

“A relação de Ciro com Vorcaro era de amizade. Eles eram amigos. Mas no Brasil passou a ser crime ter relações com uma pessoa investigada”, declarou.

 

“Vorcaro nunca pagou passagem para o Ciro, nunca pagou viagem para o Ciro. Qual é o crime de você ser amigo de um banqueiro? Um senador da República é amigo da grande maioria dos banqueiros do Brasil, dos grandes empresários do Brasil”, acrescentou o advogado.

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