Cassino em resort vinculado a família de Dias Toffoli opera jogos de azar ilegais e atrai investigados do ministro
Um resort em Ribeirão Claro, no Paraná, erguido pela família do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, abriga um cassino com jogos de azar ilegais. O estabelecimento, conhecido localmente como "resort do Toffoli", está no centro de um escândalo que lança desconfiança sobre a atuação do magistrado, que é relator de investigação envolvendo o Banco Master. As informações são da Metrópoles.
O Resort Tayayá oferece máquinas eletrônicas de apostas regulamentadas pelo governo do Paraná, chamadas de vídeo loterias. Porém, segundo a Metrópoles, há a operação de mesas de jogos de carteado, como blackjack, modalidade proibida no Brasil onde as apostas são feitas com dinheiro. Funcionários convidaram repórteres não identificados para participar desses jogos após o horário oficial de fechamento. O cassino funciona sem controle de entrada, e foram flagradas crianças utilizando as máquinas caça-níqueis.
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Foto: Reprodução / Metrópoles
Embora o nome de Dias Toffoli não conste em documentos oficiais da propriedade, funcionários do local o tratam como o proprietário. O ministro dispõe de uma casa na área de alto padrão do resort, uma embarcação atracada no píer e frequenta o local. Dois de seus irmãos, José Carlos e José Eugênio, foram sócios da incorporadora que construiu os apartamentos do complexo.
A propriedade do resort passou por negociações envolvendo pessoas ligadas a processos sob a relatoria de Toffoli no STF. No fim do ano passado, o ministro fechou o local para uma festa privada com familiares e convidados, incluindo o ex-jogador de futebol Ronaldo Nazário. Na ocasião, segundo relatos de funcionários, Ronaldo teria inaugurado a área de jogatina. Antes desse evento, o resort havia sido vendido por familiares de Toffoli a um advogado da J&F, grupo dos irmãos Joesley e Wesley Batista. Anteriormente, ações do hotel foram adquiridas por um fundo com investimento do pastor Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, do Banco Master.
O advogado Paulo Humberto, que atua na defesa do resort, negou a existência de jogos ilegais. "Em relação à jogatina, os jogos existentes no Tayayá são autorizados pela loteria do estado. Quanto aos jogos de cartas, as mesas disponíveis são para diversão dos próprios hóspedes, que jogam de truco a pôquer. Não há interferência nem incentivo à jogatina", afirmou.
Em 2020, o STF, em decisão da qual Dias Toffoli participou, permitiu que os estados explorassem as "vídeo loterias". No entanto, jogos de azar com a presença de dealers e apostas em dinheiro, como o blackjack, permanecem proibidos pela legislação nacional.
