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Jornalista lança livro 'Código de Machado de Assis' com associação de personagens ao Direito

Foto: Divulgação

O advogado e fundador do portal jurídico Migalhas, Miguel Matos, lançou o livro “Código de Machado de Assis”. O livro aborda o escritor brasileiro mais estudado a partir de uma perspectiva inédita, destacando a numerosa presença de advogados, desembargadores e bacharéis de Direito, entre outros personagens do meio jurídico. Matos mostra que a obra de Machado cresce ainda mais se analisada pelo viés jurídico.

 

O exemplar tem o formato de um código jurídico, dividido em capítulos, artigos e incisos, além de muitas ilustrações com notícias sobre o bruxo do Cosme Velho, dando destaque à numerosa presença de advogados, desembargadores e bacharéis de Direito entre os personagens.

 

Um dos principais nomes da literatura brasileira, Machado de Assis escreveu sobre o primeiro caso de corrupção pública em Esaú e Jacó. O personagem Batista foi exonerado depois que deu uma concessão para um conhecido do cunhado. Se fosse hoje, certamente teria sofrido um impeachment. Em O Alienista, houve o 1º caso de corrupção no Judiciário da literatura brasileira. O personagem Galvão, vereador, corrompeu um juiz, por conta de um testamento.

 

A obra de Machado também já retratava problemas sociais ainda muito presentes na cena brasileira atual. Em Pílades e Orestes, temos o 1º caso de bala perdida da literatura. Foi no Rio de Janeiro, em 1893. Quintanilha recebe uma bala perdida da Revolta da Armada. A Revolta foi um movimento de rebelião promovido por unidades da Marinha brasileira contra os dois primeiros governos republicanos, de Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto.

 

Ainda em Pílades e Orestes, Machado apresenta um caso de amor homoafetivo entre dois amigos bacharéis: Quintanilha e Gonçalves. Este amor é apresentado no texto às vezes de forma clara, mas na maioria das situações vem de modo camuflado. Gonçalves foi o único que seguiu carreira de advogado.

 

A apresentação do livro é assinada por José Sarney, da Academia Brasileira de Letras. "O livro de Miguel Matos — Código de Machado de Assis: Migalhas Jurídicas —, sob o título talvez despretensioso, acumula um verdadeiro tesouro para o leitor que se interesse pelo Direito ou queira simplesmente saborear a obra de Machado e aprender a 'combinar as regras do direito universal com as do pátrio costume’”, afirma.

 

O prefácio é assinado pelo ministro Luís Roberto Barros, do Supremo Tribunal Federal (STF). Para o ministro, o livro é “diferente de tudo o que já foi publicado”. “A despretensão, confessada modestamente pelo autor, não é capaz de encobrir a extensão, a profundidade e a riqueza da pesquisa, com sua característica inédita: localizar na extensa obra machadiana – romances, contos, poesias, crônicas e mais – cada migalha jurídica, documentando a influência que o Direito exerceu sobre o notável escritor."

 

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