Faroeste: Maria do Socorro queria dar apartamento milionário para filha no Le Parc
A desembargadora Maria do Socorro, ex-presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), usava as filhas como vias de captação de vantagens indevidas investigadas na Operação Faroeste. O destaque foi feito pelo Ministério Público Federal (MPF) ao pedir a prorrogação por mais um ano do afastamento da desembargadora das atividades judicantes no TJ-BA.
Em uma das conversas, a desembargadora manifesta preocupação com um consórcio de um carro em seu nome. Uma mulher com quem dialogava a diz para não se preocupar, por achar que não tem problema o bem estar em seu nome. Socorro rebate e questiona como iria justificar os depósitos da filha Luciana para ela. A outra mulher diz que se não puder justificar, é para colocar como “empréstimo familiar”. “Como fizemos com o de Amanda. Mas, acredito que possa modificar sim. E, mesmo que não possa o consórcio, acho que o veículo pode ser no nome de Luciana”, diz a mulher para Socorro.
O MPF capturou um diálogo ocorrido entre Luciana e Mariana Santiago sobre o interesse de Maria do Socorro em comprar um apartamento para Mariana no condomínio Le Parc, avaliado entre R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões. Um diálogo que chamou a atenção da investigação ocorreu entre Luciana e Mariana, no dia 11 de novembro de 2019, em que Mariana, esposa de Márcio Duarte, fala sobre uma possível separação e que precisaria de uma casa de praia para colocar suas coisas. Ela disse que sua mãe iria lhe ajudar e que estaria vendo um imóvel no Le Parc, só que isto era segredo. Porém, ressaltou que preferia uma casa de praia para deixar as coisas e continuar morando com o marido. No dia seguinte, Mariana questiona em nome de quem ficaria o imóvel: se seria no seu ou no nome da mãe. No mesmo dia, Luciana manda mensagem para Mariana perguntando qual seria o local de seu interesse e se moraria próximo a Stella Maris. Também pergunta se ela já teria falado com Socorro sobre a possibilidade de ser casa de praia. Ainda questiona a possibilidade de Márcio Duarte, também preso na Operação Faroeste, ter direito ao imóvel, e que tal possibilidade deixava Socorro receosa. Mariana responde que o imóvel de Márcio vale muito mais, aproximadamente R$ 3 milhões.
Já no dia 23 de novembro, quatro dias depois da deflagração da Operação Faroeste, com o afastamento de Socorro, Mariana envia uma notícia de fontes abertas na internet para Luciana sobre a deflagração da 2ª fase da Operação Lava Jato e consequente prisão do Juiz Sérgio Humberto de Quadros Sampaio, da 5ª vara de Substituições da Comarca de Salvador. Mariana envia a Luciana um código para criptografia de conversas no WhatsApp.
O MPF diz que o vínculo criminoso entre Socorro e o “quase-cônsul” Adailton Maturino era refletido nas 90 ligações criptografadas via WhatsApp, em que foram trocadas fotografias de imagens, em que ele envia adornos artísticos para a mesma. Tais obras foram apreendidas pela Polícia Federal durante as operações. Somente em obras de arte, o acervo foi avaliado em mais de R$ 713 mil. Com as joias, o acervo de bens apreendidos de Socorro foi de R$ 1,4 milhão (saiba mais).
