'Não é assim que se ama', diz juíza para assassino em julgamento de feminicídio
“Não é assim que se ama. Amar também é renúncia, é permitir que a pessoa amada siga seu rumo se a relação não mais lhe for conveniente.” Essa foi a declaração da juíza Marié Verceses da Silva Maia, de Raul Soares, em Mina Gerais, ao fim de um julgamento de feminicídio. O réu havia declarado que amava a ex-companheira assassinada por ele.
O acusado, um representante comercial, foi condenado pelo Tribunal do Júri a 19 anos e 3 meses de reclusão, em regime inicialmente fechado, pelo homicídio qualificado praticado contra a ex-companheira. Ele a matou com golpes de faca por não concordar com o fim do relacionamento. As qualificadoras foram por motivo fútil, com emprego de meio cruel, mediante recurso que dificultou a defesa da vítima e contra mulher por razões da condição do sexo feminino (feminicídio), uma vez que envolveu violência doméstica e familiar. O júri foi realizado na segunda-feira (25).
O crime aconteceu na noite do dia 15 de setembro de 2017, na mesma avenida onde está localizado o prédio do fórum da cidade. De acordo com os autos, o representante comercial, descontente com o fim do relacionamento, matou a vítima com 15 facadas ao vê-la com outra pessoa. Para a juíza, o crime foi de extrema crueldade. Na data do crime, a vítima detinha medidas protetivas contra o agressor. Ele já havia lhe agredido em outras ocasiões.
