Vara da Infância promove mutirão de adoção e quer mudar mentalidade de perfil ideal
A 1ª Vara da Infância e Juventude de Salvador realizou 22 audiências voltadas para as ações de adoção e destituição do poder familiar, durante um mutirão realizado nesta terça-feira (18). Na ocasião, foram avaliadas a situação de crianças e adolescentes para priorizar o andamento dos processos. O mutirão foi coordenado pelo juiz Walter Ribeiro Costa Junior.
O juiz da Infância afirma que a adoção é o carro-chefe da unidade, por não mexer apenas com estruturas jurídicas, mas questões de vida. “São crianças ou adolescentes em situações que precisam ser regularizadas e que têm direito a uma convivência familiar”, avalia. A cada dois ou três meses, a unidade realiza um esforço concentrado de audiências para dar respostas rápidas a questões relacionados a filiação.
Segundo Walter, a maioria das pessoas busca um perfil definido e específico para adoção, como sexo feminino, branca, com até três anos. O preconceito ainda é um obstáculo. “Salvador, como o Brasil, tem uma população negra. Nós temos 82% da população de negros. Então, as nossas crianças e adolescentes disponíveis são negros de 5 a 17 anos, grupos de irmãos, portadores de necessidades especiais ou doenças crônicas. Essa é a nossa realidade”, conta. O promotor de Justiça Luiz Alberto Lima Figueiredo, quando os interessados mudam a mentalidade, percebem que a tramitação do processo de adoção é célere.
O trabalho com criança e adolescente envolve uma série de operadores do sistema jurídico, entre eles o Ministério Público, a Defensoria Pública e a própria OAB. Também participam do processo psicólogos, assistentes sociais, pedagogos e educadores. A assistente social Helavia Ayres de Vasconcelos Santos diz que parte do trabalho é desmistificar o ideal de criança. Ela afirma que manter-se restrito a um determinado perfil diminui as possibilidades de um processo de adoção mais rápido. “Com essa motivação, nós estamos empreendendo vários esforços e ações para que a sociedade também veja o recado que nós estamos mandando, de que é possível ser feliz, independente da cor da pele, do jeito dos cabelos, de ser menino ou menina, de ter idade maior que dois anos ou mais”, conclui o Juiz Walter Ribeiro.
