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Banquinho da Vergonha: Advogada denuncia situação degradante de engraxate da Caab

Por Cláudia Cardozo

Foto: Reprodução/ Facebook

A profissão de engraxate, para muitos, já está extinta, mas para quem trabalha de terno, gravata, paletó e sapato social, é indispensável, principalmente para advogados. Em maio deste ano, a Caixa de Assistência aos Advogados da Bahia (Caab), disponibilizou o serviço para a advocacia. Na época, o serviço foi elogiado, mas agora, é alvo de críticas nas redes sociais pela falta de estrutura de trabalho a profissionais que cuidam de dar um brilho no sapato de quem transita pelos corredores da Justiça. O desabafo nas redes sociais partiu da advogada Jaíra Capistrano. Em seu perfil no Facebook, ela relata que esperou com paciência, por meses, uma resposta da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia (OAB-BA) e da Caab sobre o assunto, mas ainda não obteve nenhuma resposta sobre seu protesto. “Pessoal, não sei se isso incomoda a algum de vocês, mas para mim é uma das mais perversas atualizações da não menos perversa escravidão negra de nossa história, sobretudo porque acontece dentro de uma instituição que defende direitos humanos, que combate todas as formas de discriminação, e por isso precisa fazer essa autocrítica”, inicia o relato. “Aquele garoto negro que, em posição absolutamente anacrônica – alta tecnologia e debates acirrados sobre alteridade – aos tempos contemporâneos, ‘trabalha’ sentado em um minúsculo banco engraxando sapatos dos colegas, formatando um quadro que entendo um vexame”, denuncia a advogada. Para ela, o “famigerado ‘banquinho’ não recepciona em tamanho as nádegas do rapaz, e sua altura”, além de representar uma posição “subalterna” do engraxate com o cliente, o que não é “condizente com os idos da autonomia moderna”. Jaíra ainda pontua que tal banquinho ainda representa um problema de ergonometria para a coluna do profissional. Em seu texto, a advogada reforça que o que não se pode admitir é a manutenção desta situação e que o pensamento predominante é que o rapaz deve sofrer calado, posto que recebe pelo serviço realizado. “Propor que troquem o famigerado banquinho por uma de suas cadeiras usadas em seus gabinetes, pode parecer ironia, mas urge uma solução imediata”, conclama. Ela ainda demonstrou o texto protocolado na OAB com pedido de providências. O texto foi endereçado ao presidente da Ordem, Luiz Viana e posteriormente, ao presidente da Caab, Luiz Coutinho. No pedido, ela reforça que a situação é, “no mínimo, paradoxal em face de ser protagonizada por uma instituição que se presta a defender os valores da democracia”. O Bahia Notícias procurou a Caab para saber se providências já foram adotadas, mas até o momento, ainda não obteve retorno. Outra advogada, em junho deste ano, também já havia publicado um texto indignada com a situação do engraxate.

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