‘Escândalo dentro do escândalo’: OAB critica ‘inoperância’ de órgãos de controle no Brasil
Por meio de nota oficial, assinada por seu presidente nacional, Claudio Lamachia, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) fez duras críticas aos mecanismos de controle do Estado, diante dos inúmeros casos de corrupção que explodiram no país nos últimos anos. “A sucessão de escândalos, que há três anos incorporou-se dramaticamente à rotina do país, indica, mais que um quadro de degradação moral e institucional, a inoperância dos órgãos de controle do Estado. Trata-se de um escândalo dentro do escândalo”, diz trecho da nota, que aponta ainda a perplexidade do povo em face a fatos absurdos. “O cidadão-contribuinte, que paga a conta de tais desmandos, não entende como quantias estratosféricas circularam no sistema bancário, com frequência e desenvoltura, sem que os órgãos incumbidos de monitorá-las tenham cumprindo esse dever elementar”, questiona Lamachia. “Se o tivessem cumprido, tais aberrações não teriam assumido as proporções a que assistimos, levando o país à maior crise política, econômica e moral de sua história”, pondera. A nota diz ainda que os mecanismos de controle funcionam sobretudo para o correntista comum, que muitas vezes tem que lidar com “excessivo rigor burocrático”, mas aponta que o mesmo não ocorreu em relação aos criminosos de colarinho branco investigados na Lava Jato e tantas outras operações. “Como se explica o trânsito de malas e malas com dinheiro vivo, na escala dos milhões, como as encontradas no apartamento do ex-ministro Geddel Vieira Lima? Sabe-se que o saque bancário, além de determinado limite, exige esclarecimentos, que os titulares daquelas fortunas não prestaram”, questiona a OAB. “O país exige essa explicação”, declara. O comunicado oficial comenta ainda o depoimento do ex-ministro Antonio Palocci e os “inacreditáveis áudios de Joesley Batista”. Segundo Lamachia, tais fatos revelam que os investigados contaram com a cumplicidade de operadores no âmbito do Estado e do sistema financeiro, sob o comando da própria Presidência da República. “Nada menos que três ex-presidentes estão denunciados ao STF, por, entre outros delitos, corrupção passiva e formação de quadrilha”, destaca o presidente da OAB. “Jamais se viu nada igual!”, avalia e afirma, de forma incisiva: “Sem que tudo isso se esclareça, e com urgência máxima, o manto da suspeição continuará a cobrir o conjunto das instituições do Estado, o que é trágico para a democracia brasileira”.
