Absolvido pelo CNJ, Hirs diz que processo não o abateu: 'Nós fomos inocentes a vida inteira'
Absolvido pelo Conselho Nacional de Justiça, o desembargador Mário Alberto Hirs ressalta que não se deixou abalar pelo processo que durou quatro anos. Hirs e a também desembargadora Telma Britto foram alvos de três processos administrativos disciplinares que investigavam o suposto pagamento irregular de R$ 448 milhões em precatórios. "Eu não sofri, achei que aquilo não era factível, pois tenho minha consciência tranquila", declarou em sessão plenária na manhã desta quarta-feira (14). Quando o inquérito foi instaurado em 2013, Hirs presidia o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) e foi afastado do cargo. Telma, que presidia a Corte antes dele, também foi afastada (saiba mais aqui). Os dois retornaram ao TJ-BA em 2014 após uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF), mas o processo só foi encerrado no último dia 30 de maio com a decisão do CNJ (veja aqui). “[Os pronunciamentos] Dão conta de que hoje somos inocentes porque fomos inocentados. Nós fomos inocentes a vida inteira, eu nunca paguei um centavo de precatórios. Eu e Telma fomos escolhidos a dedo pra ser (sic) o olho de piranha", pontuou, em resposta aos demais desembargadores que o parabenizaram pela absolvição. Já a desembargadora Telma preferiu não se alongar sobre o tema, avisando que pretende convidar os integrantes do tribunal para uma reflexão sobre o caso, o que não cabe ao momento. "Ninguém vai me dizer que o Tribunal de Justiça da Bahia não saiu mais fraco [do processo]. Saiu sim! É um ataque ao integrante, mas quem está lá fora não separa muito", defendeu a desembargadora ao afirmar que a repercussão do caso na imprensa desacredita a instituição. Diante disso, Hirs anunciou que vai entrar com processo contra a União e os "satélites". "Pra ganhar ou pra perder. (...) Isso não vai acabar, não", alertou. Por satélites, ele se refere aos autores da ação – um deles seria o ex-presidente da Corte, Eserval Rocha, de acordo com indicativos de bastidores. Como era vice quando o inquérito foi instaurado pelo CNJ, Rocha assumiu a presidência do TJ-BA interinamente.
