ANPR defende atuação de procuradores da Operação Lava Jato e repudia deturpações
A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), em nota, manifestou repúdio a deturpação dos esclarecimentos prestados pelos procuradores da República na Operação Lava Jato, em entrevista coletiva na última quarta-feira (14). “Cumprindo legitimamente o dever e o direito de informar a população, a Força Tarefa Lava Jato tão somente apresentou a acusação contra o ex-Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, dentre outros, como o fez em já numerosas outras ocasiões, sempre nos momentos nodais dos processos, nos quais impõe-se o esclarecimento à opinião pública”, afirma o comunicado. A ANPR afirma que a construção de um país democrático é feita sob “o olhar de seu povo”, e por isso, a liberdade de imprensa e o amplo acesso às informações e o livre debate são essenciais. “Entretanto, nesse contexto, não se configura legítima qualquer manipulação ou deturpação de frases ditas no exercício do dever de esclarecimento à população. Os procuradores da República foram didáticos e extensivos em sua exposição precisamente para que o entendimento da população sobre a denúncia fosse completo, podendo a partir daí terem o conhecimento para exercerem a cidadania e o senso crítico. Configura-se em discurso político e/ou em estratégia de defesa, sem compromisso com a verdade, deturpar falas dos Procuradores da República nesta ocasião”, pontua. A entidade ainda diz que “nenhuma verdade pode ser construída pela edição de frases e repetição de uma mentira” e que a convicção dos procuradores é fundamentada em “provas robustas reunidas em investigações sérias”. Diz ainda que os procuradores que assinam a acusação apenas cumpriram sua obrigação constitucional, principalmente, sobre organização criminosa, e de que Lula seria responsável pelos sete crimes de corrupção passiva e 64 crimes de lavagem de dinheiro. “A Força Tarefa apresentou as provas de autoria dos crimes que apontam, neste caso, para o pagamento de propina de mais de R$ 87 milhões pela empreiteira OAS a diversas pessoas e partidos. A corrupção política, com o poder econômico dela decorrente, deturpa a democracia pela subversão da necessária igualdade de oportunidade entre todos os atores políticos”, assevera. Por fim, a ANPR afirma que o trabalho dos procuradores é profissional e republicano, em observância ao devido processo legal.
