Conferência pública sobre orçamento da Defensoria é encerrada em Salvador
A Defensoria Pública da Bahia (DP-BA) encerrou as conferências públicas para discutir o orçamento da instituição para o ano de 2017. A última conferência com a população foi realizada em Salvador neste último sábado (14). A conferência foi realizada em 55 dias, passando em todas as 29 comarcas onde há um defensor público. A audiência em Salvador foi conduzida pelo defensor público geral, Clériston de Macêdo. A presidente da Associação dos Defensores Públicos (Adep-BA), Ariana Sousa, também esteve presente. A ouvidora da Defensoria, Vilma Reis, disse esperar que o diálogo com o governo para o orçamento do próximo ano, fundamentado pelo resultado das conferências, seja bem-sucedido. A representante da Associação Vida Brasil, Débora Rodrigues, pediu o fortalecimento dos serviços de defesa das pessoas com deficiência e dos idosos. A ex-ouvidora-geral da instituição, Tânia Palma disse que "é difícil elencar prioridades, porque tudo é prioridade", mas destacou que é necessário a realização de um concurso público para servidor da Defensoria e que o órgão participe da campanha ‘Pare de nos matar', que será lançada pela Rede de Mulheres Negras da Bahia. Ana Vaneska Santos de Almeida, do Movimento Sem Teto da Bahia e do Conselho de Cultura, também falou sobre a intolerância religiosa, que algumas pessoas não podem “ir para o trabalho com contas”. O subdefensor público geral, Rafson Ximenes, esclareceu aos presentes que escolhas são difíceis, citando como exemplo a dificuldade que a Administração Superior da Defensoria teve para definir para onde iriam os defensores públicos nomeados no ano. "Este questionário é um instrumento político de orientação para atuação da Defensoria e vamos gerar um mapa a partir da estatística. Estamos compartilhando com vocês a escolha enquanto ouvimos vocês. Estamos compartilhando ônus e bônus", argumentou, acrescentando que todas as ações previstas no documento já são promovidas pela DP-BA. Ana Lucia dos Santos Silva, da Associação dos Moradores e Agricultores Novo Horizonte do Quilombo Quingoma, em Lauro de Freitas, pediu que a Defensoria mantenha assistência à comunidade, pois considera que este um período extremamente perigoso para a população da área do quilombo, onde está sendo construída a Via Metropolitana Camaçari-Lauro de Freitas, que deve ligar a rodovia CIA-Aeroporto (BA-526) à Estrada do Coco (BA-099). "Os caboclos choram quando as árvores são derrubadas. É doloroso a gente ver uma devastação terrível como aquela. Ver nossas crianças presenciando um terror daquele. Eu vou mesmo com meu torso, com minhas contas, vou para eles, por que não tenho medo ou vergonha de defender o meu povo", desabafou emocionada. Representantes do quilombo Rio dos Macacos, na Base Naval de Aratu também estiveram presentes para denunciar que não vivem apenas violência física, e que a perda do patrimônio do quilombo também é uma violência. Os representantes de Lauro de Freitas pediram atenção da Defensoria para que não haja filas nas unidades, que tem seis defensores. O defensor público geral afirmou que o evento foi importante para a sociedade também ouvir a instituição. "Vocês hoje podem falar conosco. Imagine para aqueles que moram nos municípios onde não estamos? De 417 só estamos em 29", declarou.
