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Cairu: Defensoria promove audiência para discutir ameaça a quilombolas do Batateira

Foto: Reprodução
A Ouvidoria Geral da Defensoria Pública da Bahia realiza nesta terça-feira (27) uma audiência pública, em Cairu, no baixo sul do estado, para discutir as violências e ameaças sofridas pelos quilombolas da Batateira, e debater políticas públicas para a comunidade. A presidente da Associação Quilombola da Batateira, Claudeci Santos diz que o contato com a Ouvidoria é um “pedido de socorro”. O sustento da comunidade advêm da atividade pesqueira e extrativista, e se vê prejudicada com a licença concedida pela prefeitura municipal de Cairu aos fazendeiros para instalação de oito tanques cavados para um criatório de tilápia (camarão). "Nós não tínhamos conhecimento disso, ficamos sabendo quando as máquinas começaram entrar em nossa comunidade e a utilizar do açude do qual tiramos nossa água para beber. Aqui não temos água encanada, muito menos saneamento básico", afirmou Claudeci. A presidente da associação ainda afirma que a prefeitura autorizou o início dos trabalhos sem ouvir a comunidade quilombola. "Nós somos um território quilombola reconhecido pelo INCRA, a prefeitura não poderia autorizar nada sem antes tratar com eles e conosco. O Ministério Público e a Secretaria de Patrimônio da União, não foram informados disso. É totalmente irregular", conclui. O conflito entre os moradores do quilombo e fazendeiros da região já dura mais de sete anos, cercados de ameaças, inclusive de morte, por parte dos fundiários. Em 2010, uma audiência pública tratou do assunto e os fazendeiros recuaram. Mas, após a liberação do alvará, as ameaças aos quilombolas voltaram. "As políticas públicas que são responsabilidades do município, do Estado e do governo federal precisam chegar à comunidade de batateira e isso é uma coisa muito importante", diz ouvidora-geral Vilma Reis.

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