Lewandowski critica 'cultura do encarceramento' que vigora no Brasil
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, recebeu nesta sexta-feira (28), a medalha do Mérito da Magistratura do Tribunal de Justiça da Bahia e criticou a “cultura do encarceramento” do Brasil. De acordo com o ministro, o Brasil teria a 4ª maior população de presos do mundo, depois de EUA, China e Rússia, com 40% deles provisórios. "Isso é muito grave, atentado permanente a constituição. Mas nós não estamos parados, estamos com projetos e vamos retomar o projeto da audiência de custódia e honra seja feita aos magistrados da Bahia que pioneiramente inauguraram esse projeto em 2013. Temos que combater automatismo de prender as pessoas”, afirmou. Além disso, Lewandowski afirmou que estava honrado em receber a mais alta condecoração da Corte. “Atribuo isso não a minha pessoa, mas ao próprio poder judiciário, que vêm desempenhando papel importantíssimo no país, sobretudo nesse momento de crise econômica que vivemos", disse o ministro antes de começar a falar sobre a atual situação econômica de países como Venezuela, Colômbia e Grécia, além da situação política do Brasil. De acordo com Lewandowski, o poder judiciário tem um papel importantíssimo no que diz respeito a garantia da estabilidade das instituições republicanas, forma “desinteressada”. “São 16.500 juízes espalhados aos 4 cantos desse país multiétnico, multicultural, cumprindo seu dever sem alarde e garantindo a harmonia social necessária para continuidade da vida em comunidade”, discursou.
