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Em audiência, OAB discute mercado de trabalho para advogados negros

Foto: Angelino de Jesus / OAB-BA
A seccional baiana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-BA) promoveu nesta quinta-feira (13) uma audiência pública para discutir o mercado de trabalho para o advogado negro. O evento foi proposto pela Comissão Especial de Promoção da Igualdade Racial. A mesa “Advogados negros: mercado de trabalho, avanços e desafios” integrou o ciclo de eventos da Semana do Advogado da seccional. Membros de movimentos negros e de entidades religiosas, além de representantes políticos e integrantes da OAB-BA, participaram do debate. “Discutir a questão dos advogados negros no mercado de trabalho é muito importante, uma vez que nós ainda ocupamos os piores papéis nas empresas, recebendo salários menores do que os brancos e sendo mal remunerados pelos escritórios, além de permanecermos mais tempo no emprego”, explicou Patrícia Lima, presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB Nacional. A presidente da comissão especial na Bahia, Dandara Pinho afirmou que “o preconceito contra o negro não é lenda. Ele está presente no nosso cotidiano”. “Cabe a nós ficarmos unidos, e, através de eventos como este, levantarmos soluções para o combate desse mal”, disse Dandara. “O racismo não acabou. Ele cerceia vários dos nossos direitos, submetendo-nos a elevados índices de mortalidade. O Estado tem, portanto, o dever social de tomar conta da situação. E nós, como operadores do direito, temos o papel de lutar contra essa triste realidade”, complementou Luis Fernando, ogan do Terreiro Ilê Oxumarê. O professor Samuel Vida afirma que “o mercado de trabalho é o território que melhor evidencia o racismo no Brasil”. “Os negros são submetidos, diariamente, à exclusão e à subalternidade. Na advocacia, ficamos anos sem nenhuma participação. E, hoje, temos que passar por situações, como a de termos que provar que somos advogados e de sermos confundidos com os réus nas audiências”, disse o professor. Ele pede que a OAB paute a construção de oportunidades para garantir a efetiva representação dos negros na sociedade. A representante da Secretaria de Justiça da Bahia, Anhamona de Brito afirma que a “história é ingrata com os negros e, principalmente, com as mulheres” e que esse “esse preconceito se reproduz na advocacia também”. Para ela, a seccional precisa discutir a elaboração de uma política de oportunidade para todos. A desembargadora aposentadaLuislinda Valois apresentou dados de homicídios de negros no país e pediu um engajamento de todos na luta contra o preconceito, pois o Brasil é “um país elitista e branco, além de machista”. Durante o evento, por proposição de Augusto São Bernardo, foi inaugurado o busto de Francisco Jê Acaiaba de Montezuma, primeiro e único Visconde de Jequitinhonha, advogado negro, jurista e político brasileiro, fundador e primeiro presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros e precursor da Ordem dos Advogados do Brasil. 

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