Secretário de Justiça defende fim de política de repressão a drogas em audiência da OAB-BA
Uma política de drogas no Brasil tem que começar a “não absolutizar a repressão, mas sim começar a fortalecer uma política de reparação de danos e cuidados”. Essa é a posição do secretário da Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Geraldo Reis, apresentada nesta sexta-feira (24), durante a audiência que debateu a política de drogas, organizada pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia (OAB-BA). Para o secretário, é necessário que os sistemas de assistência social e de saúde se estruturem para que possa ser realizado um processo de transição de uma política focada na repressão para uma política de cuidados e de reparação. Geraldo Reis, sociólogo por formação, ainda afirma que é preciso parar de encarar os usuários de drogas de forma preconceituosa. “Temos que entender que essas pessoas precisam de cuidados, de várias formas, seja de cuidados médicos, seja cuidados de assistência social, do ponto de vista familiar, do ponto de vista afetivo, até porque, nós não podemos, em nome do combate a drogas, manter uma política em nível nacional que faz com que nós tenhamos um quantitativo de homicídios aumentando no Brasil a cada ano”, diz o titular da pasta de Direitos Humanos. O secretário destaca que, atualmente, no país, morrem cerca de 60 mil pessoas por homicídios, e que 70% desses casos estão relacionados ao tráfico e as drogas. “É necessário que tenhamos a compreensão de que a atual política nacional, muito focada na repressão, ela pode causar muito mais danos do que uma política de saúde, de assistência social, de prevenção de danos”, avalia.
