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Servidores do Judiciário paralisam atividades por dois dias; categoria reivindica fim de substituições

Por Cláudia Cardozo

Diretor diz que categoria é 'penalizada' por falta de gestão
O diretor de mobilização do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário da Bahia (Sinpojud), Jorge Cardoso, afirmou que os servidores baianos “estão sendo penalizados pela falta de gestão do Judiciário”. A entidade, segundo o diretor, tem assessorado muitos servidores, que tem respondido a processo administrativo disciplinar por se recusar a fazer substituições em unidades para os quais não prestaram concurso. Pelos cálculos do sindicato, 1.2 mil servidores estão em processo de substituição, sem receber os valores proporcionais pelo feito. Jorge Cardoso diz que muitos servidores têm feito substituições em até três unidades do Judiciário, e que isso tem gerado uma sobrecarga de trabalho nos serventuários, de tal modo, que muitos já apresentam problemas de saúde. “Na quinta-feira (2), nós conversamos com um servidor que era considerado um exemplo na unidade dele. Ele atende a três serventias, e se recusou a atender mais uma, e por isso, passou a responder a um processo administrativo disciplinar. A pressão dele subiu, pois ele nunca tinha respondido processo administrativo”, conta o diretor. É diante de quadros como esse, de sobrecargas de trabalho, substituições excessivas, e de falta de servidores, que o Sinpojud convocou dois dias de paralisação da categoria para chamar a atenção da sociedade para o problema da Justiça baiana. “Queremos que nossos servidores tenham tratamento digno. É desumano impor que eles substituam em várias unidades”, avalia. A entidade sindical ainda diz que só pode atuar para coibir as substituições se os servidores a rejeitarem e procurarem o sindicato para resguardar os seus direitos. Jorge Cardoso afirma ainda que muitos pagamentos já foram autorizados, há mais de um ano, e ainda não foram pagos.



Atos serão realizados no Fórum Ruy Barbosa

O primeiro dia de paralisação foi marcado para o dia 23 de outubro, e o segundo dia, para 20 de novembro. “Nosso objetivo é chamar a atenção da sociedade sobre o problema da falta de estrutura dos servidores para trabalhar. Não é um pedido para aumentar salário. É para falar que o concurso público que será aberto para 200 servidores é exíguo. Não vai suprir a necessidade”, explica. O diretor afirma que nos últimos anos, o número de servidores só diminui. Antes, conforme ele diz, eram cerca de 12 mil serventuários, e atualmente, o número é próximo de 8 mil. “Cresce a demanda do Judiciário, e retraí a quantidade de servidores”, avalia. Jorge Cardoso afirma que, da forma como está, a “Justiça da Bahia vai é desaparecer”, pois é muito lenta por não ter estrutura para o trabalho. “O Tribunal de Justiça [da Bahia] ainda quer agregar comarcas e diminuir o acesso à Justiça. Nós queremos demonstrar para a sociedade que o problema é mais sério do que se propaga”, frisa. A paralisação foi aprovada no conselho de representantes e manterá 30% dos servidores nos postos de trabalho. Em Salvador, os atos serão realizados próximo ao Fórum Ruy Barbosa, em Nazaré.

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