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'É sacanagem falar que fui comprado', diz juiz que libertou corintianos

Foto: Reginaldo Castro / Gazeta Press
Após assinar, nesta segunda-feira (17), a absolvição de quatro torcedores que invadiram o centro de treinamento do Corinthians em 1º de fevereiro, o juiz Gilberto Azevedo de Moraes Costa, da 17ª Vara do Foro Criminal de Barra Funda, teve que lidar com a repercussão do caso. "Estou sendo esculhambado. Uma baita confusão por algo simples. Acho sacanagem dizerem que fui comprado, meus amigos me ligaram para contar", disse à Folha de S. Paulo.
 
De acordo com o magistrado, os corintianos denunciados pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) por formação de quadrilha, dano ao patrimônio e constrangimento legal qualificado não representavam “reunião estável e permanente” e “não são responsáveis por atos de terceiros”. Costa argumentou que um juiz deve ser imparcial e que, nos documentos enviados para ele, não havia nada que os colocasse como ladrões ou agressores e nem haveria, nos autos, descrição de lesão corporal.
 
"Queriam que ficassem presos? Se pegassem as penas máximas, algo que nunca acontece, algo impossível, ainda assim eles teriam direito a regime aberto, iam ficar na rua", explicou, ao rebater as críticas sobre impunidade. Os acusados foram identificados por testemunhas como líderes durante a invasão.
 
O juiz ainda minimizou o polêmico uso de expressões informais na sentença, como "surra" para se referir à goleada de 5 a 1 do Santos sobre o Corinthians. No texto de quatro páginas, ele ainda fez referência ao apelido popular dos alvinegros, chamados de "fiéis". "Em suma, tudo não passou de um ato (nada abonador) de revolta dos torcedores. Fiéis que são – e disso a própria equipe se vangloria–, queriam apenas chamar a atenção: fazer com que os jogadores honrassem os salários que ganham", concluiu no documento.

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