Juiz do Rio será julgado por pendurar quadro que critica atuação policial
O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) julga nesta segunda-feira (10) um caso inusitado contra o juiz João Batista Damasceno, por ter pendurado em seu gabinete o quadro “Por uma cultura de paz”, de Carlos Latuff. A ação foi aberta contra o magistrado por suposto descumprimento de dever funcional. A origem da representação foi um ofício do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PP-RJ), com apoio de algumas associações de policiais. A Corregedoria do Tribunal fluminense considerou que o quadro tem uma leitura crítica sobre à polícia, e que o ato de pendurá-lo em um gabinete é uma crítica a outra instituição, um comportamento que seria indevido a um magistrado. De acordo com Damasceno, a presidente do TJ-RJ, desembargadora Leila Mariano, é filha de policial, e que isso pesou na decisão. Em setembro do ano passado, em sessão plenária, ela leu o ofício de Bolsonaro, e fez constar em ata que o tribunal mandou tirar o quadro. Antes de ser notificado, o requerido retirou a obra.

