Testemunhas confirmam participação de Ustra em sequestro durante ditadura
Testemunhas ouvidas pela Justiça Federal nesta segunda-feira (9) confirmaram a participação do coronel reformado do Exército, Carlos Alberto Brilhante Ustra, no sequestro de Edgar de Aquino Duarte, ocorrido em 1973. A ação penal, proposta pelo Ministério Público Federal (MPF), é a primeira com instrução criminal de crimes cometidos por agentes do Estado durante a ditadura militar.
A tese do MPF é que Duarte foi sequestrado pelos agentes da ditadura porque conhecia a verdadeira identidade de José Anselmo dos Santos , o Cabo Anselmo, que passara a atuar como informante dos órgãos de repressão. Como a vítima continua desaparecida, o crime não prescreveu e não se encontra sob a Lei de Anistia.
Ustra, que comandou o DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações-Centro de Operações de Defesa Interna) de São Paulo no período de 1970 a 1974, é acusado de sequestro qualificado junto aos delegados de Polícia Alcides Singillo e Carlos Alberto Augusto.
Augusto declarou não conhecer Edgar, e rebateu os questionamentos sobre tortura e assassinatos por partes dos agentes do Estado. “Estão me submetendo aqui a essa humilhação de estar sentado no banco dos réus. Tanto a Justiça Federal como os procuradores estão sendo manipulados pelo governo federal”, disse. Singillo também negou a participação no sequestro e afirmou que “nunca soube de tortura”. Informações da Agência Brasil.
