Caso Colombiano: Eleição de sindicato teria sido fraudada, diz testemunha
Em depoimento dado na segunda audiência de instrução do processo que investiga o assassinato do ex-tesoureiro do Sindicato dos Rodoviários da Bahia, Paulo Colombiano, e de sua esposa, Catarina Galindo, um ex-integrante da chapa de oposição ao comando da entidade de classe afirmou que as eleições que elegeram o grupo do ex-diretor financeiro foram fraudadas. Mário Cléber de Menezes Costa foi a primeira testemunha a depor na sessão realizada nesta sexta-feira (1º). Ele acusa os sindicalistas Manoel Machado, Daladier Nunes e outros dois homens identificados por ele como Sousa e Flávio de terem cometido a fraude. Machado, juntamente com o atual deputado estadual J. Carlos (PT), integrava a chapa de Colombiano. Costa também contou que, ainda hoje, os membros do sindicato têm medo de falar do crime com medo de “represálias” por parte de Machado, J. Carlos e Daladier.
Já a segunda testemunha, o diretor jurídico do sindicato, Cleber Raimundo dos Santos Paiva, disse não saber se Colombiano sofria ameaças. No entanto, acusou Jorge Cleber, da empresa de ônibus Expresso Candeias, de fazer gestos com a mão, indicando o disparo de tiros, e dizer que "aquele que me chamou de mala e ladrão já foi”, em referência a Colombiano, que o teria ameaçado. Contudo, a testemunha também assegura que, após a morte do ex-tesoureiro, Jorge fez questão de dizer em uma reunião que a declaração não tinha a ver com a morte do sindicalista e que não estava feliz com o fato. Eliosvaldo Nascimento dos Reis, terceiro a dar declarações, disse que as eleições ocorridas à época de Colombiano “não transcorreram com tranquilidade”. “Eu via muita gente subindo e descendo com arma dentro do carro”, depôs. Reis, que era aliado da chapa da vítima, não soube dizer quem eram essas pessoas. Segundo ele, os empresários de ônibus, assim como os donos da Matermed, poderiam ter interesse na morte do ex-diretor financeiro. A denúncia do Ministério Público (MP-BA) que originou a ação penal acusa Claudomiro e Cássio de terem ordenado a morte de Colombiano depois que ele descobriu um suposto superfaturamento no contrato entre a seguradora de saúde e o sindicato. De acordo com a ação, o plano estaria recebendo pelos serviços um preço muito maior do que o de mercado. Uma parte do montante ficaria para a empresa e a outra retornaria ao sindicato e seria divida entre membros da diretoria.
O último depoente, Carlos Oliveira Santos, ex-diretor jurídico da entidade, disse que as irregularidades com o plano de saúde foram constatadas há muito tempo e que ele, Colombiano e mais dois membros do sindicato denunciaram os desvios de verba. Ele conta que um homem que identifica como Ariosvaldo Brito Arcanjo o teria espancado a mando de J. Carlos, em represália por ter denunciado o esquema. “Depois que nós denunciamos o negócio começou a ficar estranho para a gente lá no sindicato”, confessou. O inquérito foi arquivado pelo MP-BA. Adelmo Silva Santos, quinta testemunha, não compareceu à sessão. Ao final da audiência, a promotora do caso, Armênia Cristina Santos, pediu a substituição da testemunha ausente por Manoel Machado, mas foi contestada de pela defesa dos réus. Föppel afirmou que o MP teve oportunidade de convocar a testemunha na época da denúncia, mas não o fez, e que, portanto, a defesa “não pode ficar ao sabor do vento das decisões do MP”. No entanto, o juiz da 2ª Vara do Tribunal do Júri, onde corre o processo, deferiu o pedido da promotoria.
