Le Lis Blanc mantinha 28 trabalhadores em condições análogas a de escravidão
Em operação realizada em junho pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE/SP) 28 bolivianos foram resgatados em situações análogas a de escravidão, trabalhando em produção de roupas para a grife “Le Lis Blanc”. As oficinas onde as peças eram produzidas estavam sujas, não possuíam reboco e ventilação adequadas e tinham fios de eletricidade improvisados. Os trabalhadores dormiam nos beliches instalados em quartos apertados no mesmo local em que trabalhavam. Os costureiros, entre eles uma adolescente de 16 anos, tinham jornadas de até 12 horas por dia, ganhavam por produção e tinham que pagar as dívidas que contraíam com os empregadores. Apesar de duas empresas intermediarem os pedidos das peças e repassarem para a grife, o auditor fiscal Luís Alexandre Faria afirma que não há dúvidas sobre a culpa da Restoque S.A, dona da marca Le Lis Blanc. Ele estima que 90% das encomendas das intermediárias eram da grife e que 100% da produção das oficinas era de peças da marca. Segundo a SRTE/SP, a diretoria da Le Lis Blanc assumiu a responsabilidade pelo caso, regularizando o pagamento de encargos de todos os trabalhadores, incluindo direitos retroativos. O valor das indenizações foi de cerca de R$ 600 mil. A Le Lis Blanc informou, por meio da assessoria de imprensa, que regularizou a situação dos trabalhadores, apesar de não ter nenhum relacionamento com as empresas que comandavam as oficinas. A marca vende peças cujos preços variam de cerca de R$ 600 a R$ 2 mil. A roupa mais cara no catálogo virtual da grife é a jaqueta Aspen, vendida por R$ 2.290. Cada trabalhador ganhava de R$ 2,50 a R$ 7 por peça. Informações do Repórter Brasil.
