Sócio da Delta Construtora é condenado por desvio de verba pública
A Justiça Federal no Rio de Janeiro condenou a quatro anos e seis meses de reclusão em regime semiaberto o sócio-gerente da Delta Construções, Fernando Antônio Cavendish Soares, e Hugo Canellas Rodrigues Filho, ex-prefeito do município de Iguaba Grande, na Região dos Lagos. Eles foram condenados por desvio de verba pública destinada à despoluição da Lagoa de Araruama, nos Lagos. Ainda cabe recurso da decisão. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), os valores contratados para a obra foram superfaturados, com má utilização do dinheiro público. A Delta recebeu R$ 191 mil, enquanto o valor de mercado do serviço era R$ 14 mil. As obras duraram pouco mais de duas semanas.
A Justiça também condenou Mário Erly Aguiar Souza, secretário de Fazendo do município na época da obras, a quatro anos e meio de reclusão em regime semiaberto. Ele era o responsável pela execução financeira do contrato. Já o diretor do Departamento de Meio Ambiente, Alípio Villa Nova do Nascimento, e a chefe da Divisão Obras Públicas, Márcia Betânia da Silva, foram condenados a um ano e 11 meses de reclusão por falsidade ideológica. As penas foram substituídas por prestação de serviços à comunidade. Os réus também foram condenados pagar, juntos, a quantia de R$ 248 mil para reparação dos danos causados ao erário.
Em 1999, Canellas fez um convênio com governo federal para despoluir a lagoa no valor de R$ 5,6 milhões, dos quais R$ 1,1 milhão seriam repassados pelo município. No ano seguinte, a União liberou R$ 272 mil para o projeto executivo. De acordo com o MPF, a Delta foi contratada através de licitação, em um acordo de mais de R$ 22 milhões. A empresa apresentou certidões vencidas para participar do certame. Em junho de 200, a construtora cobrou e recebeu R$ 272 mil para realizar o serviço. A Justiça estranhou os valores idênticos cobrados.
