Advogado de PMs grevistas questiona Procuradoria: 'Não existem provas na denúncia'
Mais de um mês depois da oferta de denúncia do Ministério Público Federal (MPF-BA) contra sete envolvidos na greve da Polícia Militar de 2012, o advogado de parte dos acusados, Rogério Mattos, se diz “tranquilo” com a “fragilidade” das provas usadas pela Procuradoria. “Não existe lastro probatório mínimo para a oferta da denúncia. Não existe prova, só reprodução de matérias de revistas e jornais, o que não quer dizer que seja verdade”, considerou, em entrevista ao Bahia Notícias. Mattos defende o cabo Jeoás Nascimento, presidente da Associação dos Praças da Polícia Militar do Rio Grande do Norte (Aspra-RN), o líder do Centro de Assistência ao Policial Militar em Vitória da Conquista, no sudoeste baiano, Davi Salomão, e também o vereador de Salvador Marco Prisco (PSDB). Os três e mais quatro militares foram denunciados no dia 9 de abril por formação de quadrilha, controle e ameaça de passageiros de transporte público, sabotagem de instalações militares e vias de transporte, paralisação de atividades de segurança, incitação à desordem social e participação em organização militar particular. No entanto, segundo a defesa dos acusados, nenhum dos envolvidos foi ouvido pela Polícia Federal. O procedimento, de acordo com o advogado, é “incomum” e difere da maneira como a Justiça da Bahia trabalhou no caso. Na ação do Ministério Público Estadual, os PMs foram ouvidos durante o inquérito. “Todos os policiais acusados, não só os que eu defendo, estão surpresos de serem denunciados pelo Ministério Público Federal. Não estou discutindo nem a negativa de autoria – que existe –, mas a formalidade da denúncia já é frágil por si só. Nunca vi isso”, criticou. Mattos diz que “procura entender” o motivo da dispensa da tomada de depoimentos.
