Operação Calouro: PF prende 51 pessoas acusadas de fraudar vestibulares de medicina
Em ação da intitulada Operação Calouro a Polícia Federal prendeu cinquenta e uma pessoas em vários estados e no Distrito Federal até 12h, desta sexta-feira (13). Os detidos são suspeitos de participar de quadrilhas que fraudavam vestibulares de medicina em faculdades de todo o país. No total a Justiça expediu 70 mandados de prisão. O valor das vagas variava entre R$ 45 mil e R$ 80 mil. Dezenove pessoas ainda estão foragidas. De acordo com informações da PF, empresários, um médico, um engenheiro e um estudante de medicina comandavam as quadrilhas. Mais de mil estudantes teriam tentado se beneficiar através do esquema. Ainda segundo a PF, na maioria das vezes os criminosos atuavam em faculdades particulares e em algumas estaduais. Damasceno relata que o esquema funcionava de duas maneiras. Na primeira, um integrante da quadrilha falsificava documentos e fazia a prova no lugar do verdadeiro candidato. Na outra forma, um dos criminosos fazia a prova rapidamente e saia da sala para repassar as respostas para o candidato à vaga através de uma escuta eletrônica ou celular. Nas duas modalidades os pilotos (como são chamados aqueles que fazem as provas) eram estudantes de medicina. O valor só era pago pelo aluno quando este conseguia ingressar na faculdade. O delegado responsável pela operação, Leonardo Damasceno, enfatizou que as faculdades não têm envolvimento com as fraudes."São vítimas desses criminosos, pois as instituições querem os melhores alunos para seu quadro de estudantes. As instituições colaboraram muito com as investigações e seguiram à risca nossas orientações para assegurar as seleções", afirmou. Os nomes das faculdades não foram divulgados pela polícia, mas a estimativa é de que sejam pelo menos 30 unidades de ensino superior em todo o Brasil. "A carência de vagas na rede pública e a disputa acirrada tanto das federais quando nas particulares, alimenta esse tipo de esquema, uma vez que os candidatos se atraem pela facilidade. Essas quadrilhas investigadas não atuavam nas universidades federais devido ao Enem, uma seleção muito maior e com mais restrições no momento das provas", explicou o delegado. Somente no período de um ano e seis meses, foram registrados a atuação da quadrilha em 53 vestibulares. A Polícia Federal comunicará às faculdades os candidatos que foram identificados durante as investigações. O Conselho Regional de Medicina (CRM) disse que se realmente um médico teve participação no esquema, ele será investigado. O Ministério da Educação informou que, por enquanto, ainda não vai se posicionar sobre o caso.
