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Operação Porto Seguro: Adams diz que não vai colocar cargo à disposição e que está preocupado com a credibilidade da AGU

O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Luís Inácio Adams, afirmou nesta quinta-feira (29), que não colocará o cargo à disposição e que nem se sente ameaçado pelas investigações da Polícia Federal (PF), na Operação Porto Seguro. Mas, em contraponto, Adams acredita que o caso “afetou a credibilidade” da AGU, e que, para tirar o órgão dessa “situação difícil”, anunciou medidas que serão adotadas pela entidade. “Não vou colocar o cargo à disposição porque não tenho nenhuma responsabilidade com relação à decisão [das assinaturas dos relatórios que favoreciam os grupos investigados pela PF], até porque, em seu mérito, ela não estava errada”, declarou, em entrevista coletiva. O ministro da AGU ainda disse que a sua preocupação não é com sua reputação, mas sim com a credibilidade do órgão, “que tem de continuar funcionando” e que vai ter de responder às demandas que vêm sendo apresentadas. Adams disse que agora terão que identificar os erros para corrigi-los e “usar instrumentos para minimizar ocorrências desse tipo”. “Existe uma perplexidade na AGU e, ao mesmo tempo, uma determinação em corrigir essa situação”, disse. Um dos investigados pela PF, o advogado-geral adjunto, José Weber de Holanda, foi exonerado do cargo e afastado das funções até a conclusão do inquérito. Weber teve participação em todos os pareceres. Weber foi indicado por Adams para o cargo. O advogado-geral da União disse que ainda não houve indicação de envolvimento de nenhum outro servidor da AGU no caso, com base no inquérito da PF que teve acesso. Adams disse que a AGU fará um pente-fino nos procedimentos internos, e, em 15 dias, fixará medidas internas para “neutralizar essas situações de demandas que vêm para a AGU”. O ministro apontou dois documentos suspeitos no qual Weber exerceu influência. O primeiro seria um despacho de aforamento, destinado à ocupação da Ilha das Cabras, no litoral de São Paulo, que segundo ele, já foi suspenso, e o segundo é um pedido de avocação de processo para reanálise na AGU, relativo à Ilha de Bagres, perto de Santos, que havia sido encaminhado para o Ministério do Planejamento. Após as denúncias, o órgão fez um pedido de desconsideração. Os documentos foram aprovados pelo consultor-geral da União, Arnaldo Sampaio de Godoy.

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