Após Porto Seguro PF iniciará investigações sobre enriquecimento ilícito
Após a deflagração da operação Porto Seguro, na última sexta-feira(23), a Polícia Federal (PF) pretende se concentrar na investigação de enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro de líderes do grupo criminoso (que atuava infiltrado nos órgãos federais para favorecer interesses pessoais) e agentes públicos suspeitos de receber dinheiro ou vantagens para cometer atos ilegais. Segundo a PF, a investigação não foi feita até agora, mas ela vai ocorrer “como consequência natural”. Até o fim do ano, o primeiro relatório sobre a Operação Porto Seguro deverá ser concluído. A partir daí, a expectativa é que seja pedida autorização para prosseguir na análise de todo o material coletado durante a operação. A Polícia Federal acredita que até fevereiro do próximo ano o inquérito policial esteja terminado. A investigação da Operação Porto Seguro começou com um inquérito civil público para a apuração de improbidade administrativa.
O ex-auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) Cyonil da Cunha Borges de Faria Júnior revelou ao Ministério Público Federal (MPF) e à PF que lhe foram oferecidos R$ 300 mil para que elaborasse parecer técnico que beneficiasse um grupo empresarial do setor portuário que atua no Porto de Santos, a empresa Tecondi (Terminal para Contêineres da Margem Direita), em um contrato com a Companhia Docas de São Paulo (Codesp). À Pf, Cyonil disse ter sido contatado por Paulo Rodrigues Vieira, na época diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), para alterar o parecer técnico do TCU que apontava ilegalidade na área que era ocupada pela Tecondi no Porto de Santos, maior do que a que havia sido licitada. Inicialmente, Cyonil aceitou o dinheiro e chegou a receber R$ 100 mil, mas se arrependeu e resolveu denunciar Paulo Rodrigues Vieira à Polícia Federal. A PF acredita que o ex-auditor fez a denúncia após ter se sentido lesado por não ter recebido as duas últimas parcelas de R$ 100 mil que haviam sido combinadas.
