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Ministros são contra apuração de depoimento de Valério durante julgamento

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) afirmaram, em conversas particulares, nesta quinta-feira (1º), serem contrários a uma nova investigação do mensalão antes de finalizarem o cálculo da dosimetria das penas dos réus condenados. Segundo os magistrados, se isso ocorresse poderia haver tumultuo no fim do julgamento. A nova investigação seria motivada pelo novo depoimento de Valério – em que ele cita Palocci e o ex-presidente Lula -  prestado espontaneamente a Procuradoria Geral da República em setembro deste ano.

Além de citar o ex-presidente e o ex-ministro da fazenda, o empresário falou ainda sobre movimentação de dinheiro no exterior e disse ter dados sobre o assassinato do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel. Entretanto, para dar mais detalhes Valério pede para ser incluído no programa de proteção a testemunha que o livraria de cumprir pena. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ainda não decidiu se abrirá ou não uma nova investigação para apurar os relatos feitos por Valério.

"Seria até uma ingenuidade misturar as duas coisas", afirmou um ministro que pediu para não ser identificado. "E se for uma manobra dele? Não podemos ser ingênuos", afirmou o magistrado. Marco Aurélio Mello, único ministro que falou abertamente ontem sobre o caso, ironizou o fato de Valério ter prestado depoimento em setembro, quando o julgamento já estava em curso e o empresário recebia suas primeiras condenações. "A ficha pode ter caído um pouco tarde", afirmou Mello. "Essa postura de Marcos Valério é neutra, não repercute", disse o ministro. No novo depoimento, Valério afirmou ainda que recebeu ameaças de morte. Por isso, encaminhou ao Supremo no dia 22 de setembro um fax, pedindo proteção a ele e à sua família.

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