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MPF apresenta outra denúncia contra Ustra por sequestro durante a ditadura militar

O coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra foi novamente denunciado pelo Ministério Público Federal em São Paulo (MPF-SP), nesta quarta-feira (17). O órgão o denunciou à Justiça por sequestro qualificado. A ação condena Ustra, juntamente com os delegados Alcides Singillo e Carlos Alberto Augusto, da Polícia Civil, de seqüestrar Edgar de Aquino Duarte, em junho de 1971. De acordo com o MPF, Duarte era corretor de valores e ficou preso ilegalmente nas dependências do Destacamento de Operações Internas de São Paulo (DOI-Codi) e depois no Departamento de Ordem Política e Social (Dops) até 1973. Depois deste ano, o paradeiro da vítima é desconhecido, e que, para o MPF, é conhecido pelos denunciados.

Duarte foi fuzileiro naval na juventude. Após o golpe militar, ele foi expulso das Forças Armadas, acusado de oposição ao regime. Duarte morou durante um tempo no exterior e voltou ao Brasil em 1968, quando passou a morar em São Paulo, usando o nome de Ivan Marques Lemos, e dividiu um apartamento com um colega da Marinha, José Anselmo dos Santos, o Cabo Anselmo, detido pela polícia em 1971. Segundo o MPF, depoimentos mostram que Duarte não tinha envolvimento contra o regime militar, e que montou uma imobiliária e passou a trabalhar como corretor da Bolsa de Valores.

O MPF também encontrou documentos do 2º Exército que atestam que o corretor não pertencia a nenhuma organização política. O órgão acredita que Duarte foi seqüestrado por apenas conhecer a verdadeira identidade do Cabo Anselmo, informante do regime. O Ministério Público ainda sustenta a tese de que o crime de sequestro não prescreveu baseado em três decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), “que autorizaram a extradição de agentes acusados pelo Estado argentino de participação em sequestros realizados há mais de 30 anos”.

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