Justiça determina alteração no atestado de óbito do jornalista Vladimir Herzog
O atestado de óbito do jornalista Vladimir Herzog, que morreu em 1975, em São Paulo, será retificado, a partir da decisão do juiz Márcio Martins Bonilha, da 2ª Vara de Registros Públicos do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). O documento emitido no período da ditadura apontava que a morte do jornalista foi em decorrência de suicídio, nas dependências do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna subordinado ao Exército (DOI-Codi). A decisão da Justiça desta segunda-feira (24) determina o documento ateste que Herzog morreu por maus-tratos, com a seguinte descrição: “A morte decorreu de lesões e maus-tratos sofridos em dependência do 2º Exército – SP (DOI-Codi)”. A alteração foi um pedido da Comissão Nacional da Verdade. A solicitação foi encaminhada a pedido da viúva Clarice Herzog.
Na decisão, o juiz Bonillha Filho elogiou a atuação da comissão. “[A comissão] conta com respaldo legal para exercer diversos poderes administrativos e praticar atos compatíveis com suas atribuições legais, entre as quais recomendações de ‘adoção de medidas destinadas à efetiva reconciliação nacional, promovendo a reconstrução da história’”, disse o magistrado na sua decisão. Herzog nasceu na Croácia e se naturalizou brasileiro. Ele era militante do Partido Comunista e foi torturado durante a ditadura militar. No dia 25 de outubro de 1975, Vlado, seu nome original e como era conhecido,foi encontrado morto. O DOI-Codi, na época, informou que o jornalista se enforcou com o cinto que usava. A família nunca aceitou a versão apresentada.
