Thomaz Bastos publica artigo em defensa de sua decisão de advogar para Carlinhos Cachoreira
O ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, atual advogado de defesa Carlos Augusto Ramos, o Cachoeira, publicou um artigo no jornal Folha de São Paulo, nesta terça-feira (29), em que fala sobre o direito a “liberdade para defender a liberdade”, em alusão às críticas por ter aceitado defender o bicheiro.
No artigo, ele traça uma linha do tempo sobre sua carreira jurídica até 2002, quando foi convidado para assumir o Ministério da Justiça pelo ex-presidente Lula. Após deixar a pasta, no qual ficou por 50 meses, contou ter ficado de quarentena para voltar à advocacia. Em tom nostálgico, ele lembrou dos momentos de sua carreira que se orgulha, como nas Diretas Já, a Constituinte de 88, o julgamento dos assassinos de Chico Mendes e a fundação do Instituto de Defesa do Direito de Defesa. Ele também citou algumas ações que realizou enquanto ministro, como a reestruturação da Polícia Federal e a construção do Sistema Penitenciário Federal e a reforma do Judiciário.
De acordo com Thomas Bastos ele é um “advogado que vota no PT, e não petista que advoga” e citou momentos em teve oportunidades de representar clientes vistos como “inimigos figadais do partido” e que nem por isso os recusou. Para ele, “a liberdade do advogado é condição necessária da defesa da liberdade”. Em seu entendimento, sua atuação no caso é “estritamente técnica”. Sua defesa é baseada no sentimento de não se sentir impedido, legal, moral ou psicologicamente para fazer a defesa de alguma pessoa, cobrando ou não os honorários. Ele destacou o código de ética do advogado, principalmente em matéria criminal, que não deve considerar a opinião do próprio advogado sobre a culpa do acusado. Para Thomaz Bastos, “o fascinante da profissão é o desafio imposto, como enfrentar o Estado”.
