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Juiz cobra divulgação dos nomes dos magistrados que receberam pagamentos atípicos

O desembargador Caetano Lagrasta Neto tem receio do que os netos dirão sobre ele
O desembargador Caetano Lagrasta Neto, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) pede que seja divulgado a relação dos nomes dos magistrados que receberam pagamentos atípicos milionários, apontados por uma inspenção do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O magistrado de 68 anos, que usa a toga desde 1975, afirma que nem fala mais que é desembargador devido as questionamentos que escuta com frequencia se recebeu os supersalários. “É um final de carreira melancólico o meu, apontado na rua, no clube, em família", afirmou em entrevista para o Estadão.

O receio de Lagrasta é o que os netos dirão no futuro sobre os indicativos de pagamentos atípicos aos magistrados."Depois de uma vida inteira sem uma única reclamação, uma vida limpa, é este o prêmio que recebo", lamentou. O número de juízes e desembargadores que receberam os pagamentos antecipado totalizam 211. Desse montante, 29 receberam valores acima de R$ 100mil e estão sob investigação. Dois ex-presidentes - Roberto Vallim Bellocchi e Antonio Carlos Vianna Santos - somam R$ 2,65 milhões. Outros três, que integravam a Comissão de Orçamento e Finanças, ganharam mais de R$ 600 mil cada.

O nome de Lagrasta, da 8.ª Câmara de Direito Privado, não está em lista nenhuma. Ele defende a divulgação dos nomes dos magistrados que receberam os pagamentos. Em dezembro, ele enviou um e-mail para Ivan Sartori, atual presidente do TJ-SP, e de quem é amigo. “Prezado Ivan. Este segredo de polichinelo prejudica a todos, colocando-nos sob suspeita, ao mesmo tempo em que preserva os que se aproveitaram da amizade ou do conluio para desobedecer a preceitos legais.”

Ele também enviou um e-mail para o CNJ questionando a origem dos pagamentos a 300 magistrados no tribunal paulista. Os nomes, de acordo com comunicado de Sartori, não foram divulgados em respeito ao príncipio da presunção de inocência. Lagrasta salientou que o Judiciário não pode ficar refém do Executivo, e que esta poderia ser uma das causas de se ter chegado a este ponto nos tribunais. As informações são do Estadão.

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