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Servidor do TRT-RJ que movimentou mais de R$ 280 mi é identificado

Foto: Divulgação

O servidor do Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro (TRT-RJ), que movimentou sozinho mais de R$ 280 milhões, em 2002, teve sua identidade revelada. Até então, o nome do analista judiciário Rogério Figueiredo Vieira não havia sido divulgado pelo Tribunal Trabalhista do Rio. A movimentação atípica foi registrada pelo Conselho de Atividade Financeiras (Coaf) em 16 operações financeiras, e encaminhada à corregedora Eliana Calmon, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Segundo informações do G1, a assessoria de imprensa do TRT informou que o funcionário era servidor do tribunal desde 1993, e ficou afastado por nove anos para trabalhar na Câmara dos Deputados. Ele foi promovido para o cargo de analista no TRT em agosto de 2011.

Vieira já era figura conhecida da Polícia Federal por ser irmão do agente federal Hélio Figueiredo Vieira, conhecido como “Helinho”, que trabalhou diretamente com o delegado Roberto Prel. Ele também é conhecido por ser alvo de investigação do Departamento da Polícia Federal (DPF), por crimes como descaminho e lavagem de dinheiro. Outra movimentação bancária, superior a de 2002, de R$ 400 milhões, também foi registrada pelo Coaf. As movimentações levaram o procurador regional da República em Brasília, Marcelo Freire, a fazer três denuncias contra o analista e pedir abertura de três inquéritos para investigá-lo em outros supostos crimes.

Vieira também já foi preso no Rio, em 2004, a mando da Justiça do Paraná, em uma operação que prendeu os ex-secretários do governo paranaense de Jayme Lerner, entre 1995-2002, Ingo Hubert e José Cid Campêlo Filho, sob suspeita de desvio de dinheiro público da Copel (Companhia Estadual de Energia) de R$ 16,8 milhões. Ele era um dos quatro empresários acusados de envolvimento com o esquema que tiveram a prisão decretada. Segundo o procurador, o analista do TRT, atuou na ilegalidade, principalmente no chamado descaminho, referente à importação de produtos sem pagamento dos impostos, com ajuda de policiais federais e auditores da Receita Federal.

O esquema contava com pessoas que traziam mercadorias do exterior, basicamente produtos de informática, e que passavam pelos aeroportos nacionais sem fiscalização. As viagens eram financiadas por empréstimos obtidos com empresas fantasmas abertas em nome de laranjas. Geralmente utilizavam nomes de empregados domésticos. O dinheiro obtido com as lavagens era utilizado para comprar veículos em nomes dos empregados, que não tinham habilitação, e era conduzido pelo próprio analista denunciado.

O esquema foi desmontado pela Operação Voo Livre, em setembro do ano passado, em um trabalho junto com a Receita Federal, Polícia Federal e Procuradoria da República do Rio de Janeiro. A operação atingiu 12 servidores da Receita, três policiais federais e mais de 100 pessoas que faziam as viagens para trazer as mercadorias. Freire apresentou sete denúncias à Justiça e pediu abertura de 54 inquéritos. A Polícia Federal espera uma confirmação do Coaf para ouvir Rogério Figueiredo em um inquérito sobre lavagem de dinheiro.

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