STF adota iniciais para ocultar identidade de autoridades processadas
Uma prática adotada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) está a servir de proteção adicional para políticos e outras autoridades que detêm foro privilegiado. Inquéritos e outros processos na corte passaram a tramitar em caráter confidencial, apenas com as iniciais dos nomes de quem é investigado. O procedimento seria normal, se os processos estivessem em segredo de Justiça, mas a prática foi ampliada pelo STF, sob o argumento de que seria necessário preservar "a honra e a intimidade das pessoas". Apenas com as iniciais dos nomes fica praticamente impossível saber quem está sob investigação. Um dos favorecidos da nova praxe foi o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Ari Pargendler, que responde processo por injúria pelo ex-estagiário Marco Paulo dos Santos. Na queixa contra o magistrado, o ex-estagiário relatou ter sido agredido verbalmente e demitido por ordem de Pargendler. O processo não estava em segredo de Justiça. Os advogados do presidente do STJ chegaram a pedir que o processo fosse sigiloso, mas o relator, ministro Celso de Mello, rejeitou o pedido e enfatizou: "Nada deve justificar, em princípio, a tramitação, em regime de sigilo, de qualquer procedimento que tenha curso em juízo, pois deve prevalecer a cláusula de publicidade." O mais recente beneficiário desse caráter confidencial foi o prefeito de Macapá, Roberto Góes. Preso e trazido para Brasília, ele pediu ao Supremo para ser libertado. O habeas corpus que chegou ao STF, apesar de não ter nada que possa autorizar o segredo de Justiça, foi colocado no sistema tendo como parte ARRGDAS (Antônio Roberto Rodrigues Góes da Silva).
