Ipraj é extinto, acaba a novela

Sede do TJ-BA no CAB
Afinal, o Instituto Pedro Ribeiro de Administração Judiciária, o Ipraj, chegou ao fim. Foi declarada como uma autarquia extinta no Diário do Judiciário de hoje, em ato assinado pela presidente do TJ-Ba, Telma Britto, depois de resistir, moribundo, meses na UTI após condenação pelo CNJ, que “aconselhou”a eutanásia, seguida de decisão do Tribunal baiano e, em sequência, em lei votada pela Assembléia Legislativa e, por fim, sanção do governador Jaques Wagner. Na verdade, já há alguns meses havia sido detectada a morte cerebral do Instituto, na medida em que foi desmontado pelo comando do TJ e até, por édito não escrito, declarada proibição de pronunciar sequer o seu nome. Em torno do nome, aliás, uma presumível maldição. A autarquia concluiu o seu ciclo. Foi significativa enquanto aconteceu, mas, afinal, depois de 26 anos de criada, foi declarada inconstitucional. Agora, caberá ao Tribunal rearrumar a sua administração, redistribuindo as funções do finado na estrutura do TJ, criando-se departamentos ou coisa semelhante para a gestão do poder. Enquanto a nova máquina não for azeitada, presume-se que haverá um interregno confuso, como, aliás, é natural. Foi, em todo o processo, uma longa novela até ser confirmada a morte, com direito a choros e velas, posto que o defunto, além de importante, tinha tradição na justiça baiana. No caso específico, nem sepultamento nem cremação. Simplesmente o velho Ipraj desapareceu. Em direito, está na condição de ausente.
(Samuel Celestino)
