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Coluna

Direito Médico pra Você: O sucateamento da saúde e a sobrecarga dos profissionais

Por Mariana Amoedo e Ana Caroline Amoedo

Foto: Divulgação

O sucateamento da saúde pública no brasil não é novidade. Os projetos para o Sistema Único de Saúde estão presentes em absolutamente todas as plataformas eleitorais de todos os candidatos.


Porém, a saúde nunca foi efetivamente levada como prioridade no nosso país.


E o resultado disso é o abandono assistencial da população, as enormes filas de regulação de pacientes, ausência de leitos e o caos na saúde que todos nós brasileiros estamos cansados de saber.


Sobre isso, muito se fala.


O que pouco se fala é sobre a sobrecarga que esse caos na saúde gera aos profissionais de saúde.


Frequentemente vemos relatos desses profissionais, que trabalham, frequentemente, sem as mínimas condições estruturais para salvar vidas e ao final da exaustiva jornada – sem adequado material de trabalho, com equipes desfalcadas, sem local adequado para descanso e alimentação – recebem em troca agressões, verbais e até físicas e importunações desarrazoadas.


Exemplificativamente, cabe mencionar os casos absurdos de vereadores no interior de São Paulo e no Rio de Janeiro, que, em plena pandemia, adentraram o quarto do descanso médico – onde os profissionais exercem seu direito legal ao intervalo intrajornada – e armaram um verdadeiro circo de horrores, execrando e ameaçando (em um dos casos, com homens encapuzados e armados). 


Em um dos casos, o médico agredido descansava após 36h seguidas de plantão, cobrindo escala de profissionais afastados por covid-19 e havia passado 1h40min tentando reanimar um paciente de 44 anos, que não resistiu e morreu com Covid-19. Em seguida, atendeu a família da vítima para comunicar a morte e decidiu descansar, quando acordou com pessoas esmurrando a porta e levantou sobressaltado, acreditando que mais alguém estava morrendo.
Certa vez ouvimos de um médico: “pensar que teve aquele surto coletivo de aplausos aos profissionais da saúde”.
Alguns gestores, como os vereadores que invadiram o descanso médico, criam circos e colocam os profissionais da saúde como os grandes vilões, justamente para desviar a atenção dos verdadeiros causadores desse caos gerado pela má gestão dos recursos públicos.


É curioso como não há discussões sérias sobre a valorizações dos profissionais da saúde no brasil, com a criação de planos de carreira – como as existentes na área jurídica, a exemplo da magistratura, defensoria e procuradoria. 
Ao final de tudo isso, quem perde não são só os profissionais da saúde, mas, principalmente, a população, que parece já estar acostumada.

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