Caetano Veloso fala sobre cocaína, política e críticas
Por Josemar Arlego

Em entrevista à revista Poder, Caetano Veloso não economizou nas palavras e detonou as pessoas que usam cocaína: "Odeio cocaína, a maneira como as pessoas aspiram, o fedor do corpo de quem cheira. Odeio a cultura de economia ilegal que cresceu pelo consumo da cocaína. Da boemia, me interessam as pessoas. Veja a cocaína em forma de crack, por exemplo. O crack é o único negócio que me balança. Seu efeito é muito rápido e destrói muita gente pobre e desavisada. Seu aparecimento abalou minha decisão de princípio, que é ser a favor da legalização das drogas" afirmou para a publicação.
Conhecido por ter uma relação confituosa com a Veja, ele falou: “Folha, Veja, Fasano, Daslu, Sala São Paulo e Museu da Língua Portuguesa me fazem pensar o quanto Sampa é influente e interessante. Eu acho a Veja mais complicada do que a Daslu”. A Veja criticou duramente seu novo disco, mas Caê diz que leu a matéria: "Eu não li. Até quero ler. Eu leio a Veja às vezes, sabia? Quando viajo de avião eu compro. Porque é uma revista boa, dá pra ler. A gente fica com raiva de umas coisas, ri de outras. Você tem a Veja que fala do nosso disco, Pedro [Sá, guitarrista da banda]?. Me empresta? Eu vi você falar um pouco mas não sei o conteúdo".
O filho de Dona Canô se arriscou até a falar sobre a política: "Vivemos uma época de descrença nos nossos parlamentares, né? Por outro lado, nunca vi político tão bem aprovado e tão bem equilibrado quanto o Lula. FHC, enquanto foi bem avaliado pela população, também era assim. O aspecto ideológico, a ideia de melhorar a sociedade, isso veio com a esquerda – que sempre esteve muito descolada da prática real. O Lula faz bem essa jogada de representar os anseios da esquerda e ser superpragmático. Ele e FHC marcam um nível muito elevado entre governantes".
Caetano Veloso apresenta seu novo disco "Zii e Zie" para os baianos no dia 5 de junho, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, às 19 horas.
